Genéricos ''somem'' das farmácias do PR
Valmir Denardin
De Curitiba
Menos de dois meses e meio após chegarem ao mercado, os medicamentos genéricos estão desaparecendo das farmácias das principais cidades do Estado. Além disso, a maior parte dos remédios já aprovados pelo governo federal ainda nem chegou ao mercado paranaense.
Genéricos são medicamentos com as mesmas propriedades terapêuticas dos produtos de marcas tradicionais e que chegam a custar menos da metade do preço destes. A fabricação dos genéricos começou a ser liberados em lotes pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS), órgão do Ministério da Saúde, no último dia 3 de fevereiro.
Até agora, a lista possui 26 sais (princípio ativo do medicamento), em 37 apresentações quando um mesmo remédio é embalado em comprimidos e xarope, por exemplo. Todos os genéricos já aprovados possuem apresentação para a venda em farmácias. Mas menos da metade do total está à disposição do consumidor paranaense.
A Folha apurou que os dois problemas atingem tanto as grandes redes de farmácias como os estabelecimentos de pequeno porte. Na tarde da última quinta-feira, a unidade da rede Drogamed na Praça Rui Barbosa, centro de Curitiba, oferecia apenas seis tipos de genéricos: os antibióticos ampicilina e claritromicina, cloridrato de ranitidina (usado no tratamento de úlceras), cetoconazol (para micoses), maleato de enalapril (para hipertensão) e sulfato de salbutamol (broncodilatador).
Segundo Jeferson Carlos da Rocha, responsável pelo setor de compras da Drogamed, a situação era semelhante nas demais unidades da rede a maior do Paraná, com 74 pontos de venda, concentrados principalmente na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Cada unidade da Drogamed oferece cerca de 8 mil marcas de medicamentos.
A rede de farmácias Nissei, com 29 unidades na região de Curitiba e no Litoral, oferecia, na sexta-feira, apenas cinco genéricos: cloridrato de ranitidina, cetoconazol, cefalexina (antibiótico), ampicilina e sulfato de salbutamol.
Na Farmácia e Perfumaria Ingá, que possui apenas uma unidade, no bairro de Santa Felicidade (região oeste da cidade), a situação era ainda pior. Só havia quatro genéricos: ampicilina, cetoconazol, cloridrato de ranitidina e sulfato de salbutamol. Estamos tentado comprar os outros, mas as distribuidoras não têm, explicou o gerente de Vendas, Celso Okuma.
A situação é idêntica nas principais cidades do interior do Estado. Em Londrina, a maioria das farmácias tinha, na sexta-feira, poucos genéricos quatro ou cinco tipos, em média. Segundo Marcos Rogério Ribeiro, gerente de uma das lojas da rede Dom Bosco, o desabastecimento já provoca a redução na procura e leva os médicos a desistir de receitar esses medicamentos. A farmácia oferecia apenas três genéricos: cefalexina, ranitidina e ampicilina.
A Fleming, maior rede de farmácias de Ponta Grossa, com sete lojas, tinha seis genéricos na sexta-feira. Na Farmarede, que possui farmácias em Cascavel e Foz do Iguaçu, havia apenas quatro produtos.
Os responsáveis por todos os estabelecimentos consultados pela Folha afirmaram que tentam repor os estoques de genéricos e comprar novos sais já liberados, mas os laboratórios não estão conseguindo suprir a demanda. Há 40 dias não recebemos a cefalexina. O laboratório EMS, único fabricante, alega que está com sobrecarga de pedidos, disse Jeferson Carlos da Rocha, da Drogamed.
A farmacêutica Tatiana Sizuko Gameiro, da rede Nissei, afirmou que os balconistas já estão dispensando pacientes que procuram pelos genéricos. (Colaborou Lino Ramos, de Londrina).





