Brasília, 06 (AE) - O governo vai intimar o presidente da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), José Eduardo Bandeira de Mello, a apresentar os nomes dos laboratórios e farmácias acusados de "criminosos" pela entidade por induzir o consumidor ao uso de genéricos que ainda não existem no mercado. O ministro da Saúde, José Serra, prometeu ainda denunciar à Organização Mundial do Comércio (OMC) as multinacionais que se recusam a fabricar genéricos no Brasil mas produzem o medicamento no exterior.
Os informes publicitários pagos pela Abifarma e veiculados pela mídia escrita e programas de TV, no fim de semana, criaram "desconforto" ao governo, conforme comentou Serra, que durante entrevista, hoje, leu trechos em que aparecem termos como "criminosos" e "inescrupulosos". O ministro agora quer a "prova" das afirmações da Abifarma. Serra está convencido de que a associação não está preocupada com a saúde ou o bolso do consumidor. Primeiro por causa da ata de reuniões de gerentes nacionais de venda dos grandes laboratórios, denunciada à Secretaria de Direito Econômico, que, na visão do ministro, é uma "óbvia manifestação" contra os genéricos. "Acho isso escandaloso", repudia Serra, acrescentado que a Abssociação se posiciona contra os genéricos desde a discussão no Congresso da lei que criou o produto. Em segundo lugar porque Serra descofia que, na verdade, a ofensiva da Abifarma visa "desqualificar" os remédios similares.
O ministro esclarece que similar não é genérico, mas garante que são confiáveis. "Eu mesmo consumo similar", contando ter trocado Losek por Gasparin, pela diferença de preço que hoje é de R$ 14,00. Ao contrário dos medicamentos de marcas, os similares são comercializados apenas pelo nome do princípio ativo. Os genéricos, que ainda não estão no mercado, também se apresentarão apenas pelo nome da substância da qual é composta. Mas a diferença é que os genéricos somente serão liberados para venda depois de apresentar testes de bioequivalência que comprovam ser cópia idêntica de um remédio de marca. Testes - Segundo o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS), Gonzalo Vecina Neto, 9% dos injetáveis e algumas solucões estão dispensados do teste que checa se o efeito e o tempo de absorção do genérico no organismo é o mesmo dos de marca copiada. Isso porque o efeito é imediato. Ele informa ainda que apenas 20% dos genéricos exigiriam o teste de bioequivalência realizado com seres humanos, orçado em R$ 100 mil. Os demais poderiam usar o sistema "in vitro", mais barato: apenas R$ 5 mil.
O ministro anunciou hoje que a ANVS poderá aceitar testes realizados no exterior para laboratórios que já produzem o genérico em seu País de origem. A agência analisará caso a caso para revalidar o exame. "Imagina se vamos duvidar de um teste feito na Alemanha, Estados Unidos ou Suíça", disse Serra. Mas a agência cobra de todos candidatos a fabricantes de genéricos informação sobre a origem da matéria-prima utilizada. "Eles resistem a essa exigência", lamenta Vecina.

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