Genéricos estão disponíveis nas farmácias, mas vendas são fracas
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sexta-feira, 22 de setembro de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Lista de medicamentos genéricos em farmácia de Londrina, que dispõe de antibióticos, anti-ulcerosos, hipertensivos, broncodilatadores, pomadas de uso tópico e analgésicos (ao lado). Abaixo, à esquerda, a farmacêutica Tânia Balbinotti, do Conselho Regional de Farmácia. À direita, Gonzalo Vecina Neto, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
As farmácias exibem em cima do balcão a lista de medicamentos genéricos disponíveis, mas as vendas não decolam. Menos de 1% do total de vendas. Quem afirma é a farmacêutica Tânia Maria Bozelli Balbinotti, membro do Conselho Regional de Farmácia do Paraná. Segundo Tânia, as farmácias dispõem de antibióticos, anti-ulcerosos, hipertensivos, broncodilatadores, pomadas de uso tópico e analgésicos. Desses medicamentos genéricos os mais procurados são os receitados para hipertensão, informa Tânia.
A diferença de preço entre genérico e marca de fantasia é grande. O hipertensivo Renitec, de 10 mg, com 30 comprimidos na caixa, custa R$ 36,87. O genérico Enalapril, com as mesmas características, sai por R$ 15,99. Nesse caso, a venda do genérico, de fabricação nacional, se equipara ao hipertensivo de marca, produzido por indústria multinacional. Tânia acredita na popularização dos genéricos e diz que eles vendem pouco porque tem pouca quantidade no mercado.
Tânia explica que existem muitas confusões a respeito de genéricos e similares. Os remédios similares são aqueles que têm a mesma formulação, mas diferem, por exemplo, no tempo de ação sobre o organismo. O consumidor só pode substituir uma medicação por similar se o médico autorizar. A troca pode trazer efeitos colaterais perigosos, alerta Tânia. Ela orienta o consumidor a distinguir genérico de remédio tradicional: A caixa dos genéricos deve conter a inscrição: medicamento genérico, lei 9787/99.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal é ter uma farmácia para cada 10 mil habitantes. No Paraná há uma para cada duas mil pessoas. Londrina tem cerca de 190 farmácias. Tânia informa que estudos da OMS indicam que 45% da população nacional não têm acesso a remédios comprados. As farmácias se tornaram uma loja para consumo. E remédio é droga, ninguém pode se esquecer disso. Deve ser prescrito exclusivamente pelo médico, comenta Tânia. Ela diz que a responsabilidade do farmacêutico é fundamental na orientação dos consumidores.
O consumo ainda tímido dos genéricos é atribuído, na maioria das vezes à falta de informação. O pintor de automóveis Mauro Chiarelli, 45 anos, garante que nunca comprou genéricos por não saber bem do que se trata. Venho com a receita e levo o que está prescrito nela. A dona de casa Maria Regina Cardoso Pires insiste com o balconista: Pergunto se tem genérico, sim. O problema é que não se encontra o princípio ativo para a doença que a gente tem.


