Campinas, SP, 25 (AE) - Pelo menos sete medicamentos genéricos deverão chegar às prateleiras das farmácias e hospitais do País até o fim deste mês, segundo afirmou, hoje, o ministro da Saúde, José Serra. O ministro aposta nos genéricos para reduzir os preços dos medicamentos no País, principalmente os de uso contínuo, conforme demonstrou durante visita a um laboratório no interior de São Paulo. "Quem me conhece sabe que eu bato forte e o que vou fazer nesta questão", afirmou.
Segundo Serra, congelamento não é solução para coibir o aumento nos preços dos remédios, como já ocorreu no passado. Demonstrando não estar totalmente satisfeito com a atuação da Secretaria de Preços do Ministério da Fazenda, disse que o órgão "deveria ser mais rigoroso para controlar os reajustes praticados por alguns laboratórios", considerados abusivos. "O problema de preço dos remédios é bastante grave, há muito abuso. Mas apesar de ser um trabalho complexo e bastante difícil, o governo tem interesse em uma política firme para controlar e baixar os preços dos medicamentos", afirmou.
Porém, evitou fazer críticas diretas e chegou a defender a secretaria que apresentou uma lista diferente daquela do Ministério da Saúde durante os depoimentos na CPI. Levantamentos feitos por seu ministério indicam que a variação do preço dos remédios nos últimos dez anos foi de 54% acima da inflação. "O nosso levantamento foi mais abrangente, enquanto o da secretaria levou em conta somente a variação dos preços no último ano", comentou Serra, na visita ao Centro Infantil Boldrini, em Campinas. O centro abriga um hospital de referência no tratamento do câncer na América do Sul. No ato, foi lançada a pedra fundamental para construção do centro de radioterapia do hospital que consumirá investimento de US$ 2 milhões e ficará pronto em dois anos. Medicamentos - No início da tarde, o ministro esteve em Hortolândia visitando o recém-inaugurado laboratório Sigma Pharma. O laboratório deve ser o primeiro a colocar a venda medicamentos genéricos no País. Foram investidos na unidade US$ 40 milhões, conforme os padrões de qualidade Food and Drug & Administration (FDA), o órgão do governo que controla os remédios nos Estados Unidos. A empresa promete investir outros US$ 5 milhões nos próximos anos para colocar cerca de cem genéricos no mercado.
De acordo com o ministro, os genéricos vão entrar no mercado pouco mais de um ano depois da lei ter sido aprovada. "Nos EUA, o processo levou quatro anos", assinalou. Ele confirmou que um dos maiores laboratórios americanos já entrou com pedido para fabricar genéricos junto ao Ministério da Saúde. "O que nos faz pensar que o preço do remédio deve cair", completou. Antibióticos - A exigência de apresentação de receita médica para compra de antibióticos deve começar a partir da próxima semana, conforme alertou o ministro. Técnicos da Vigilância Sanitária estudam os últimos detalhes para fazer a fiscalização, antes da medida entrar em vigor. Para Serra, a medida é necessária em função do uso indiscriminado de antibióticos. "Quando o uso desse tipo de remédio é feito sem o acompanhamento médico, tornando-o indiscriminado, acaba fortalecendo as bactérias e o vírus", observou.
"É um absurdo um remédio como o bactrin ser vendido sem receita", afirmou. "As pessoas tem de entender que estamos tomando a medida não para chateá-las, mas sim para protegê-las".

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