Genérico deve ter 20% do mercado em 18 meses
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo e Rio de Janeiro 
O mercado de medicamentos genéricos deverá atingir no Brasil uma participação de até 20% dentro de 18 meses. A previsão foi feita ontem, em São Paulo, por Fernando de Castro Marques, presidente da Associação dos Laboratórios Nacionais (Alanac), no 1º Encontro Internacional de Genéricos, que contou com a presença de diversos executivos da indústria farmacêutica para discutir a importância desse mercado no mundo. Os participantes analisaram o mercado principalmente em países da Europa e dos Estados Unidos.
Em outubro ou novembro do ano que vem vai haver uma intensa aceleração no processo de aprovação de genéricos, previu Marques. Isso acontecerá porque mais empresas estão produzindo genéricos e algumas multinacionais vão entrar no mercado, acrescentou ele. No Brasil, o mercado farmacêutico gera R$ 12 bilhões por ano e desse total apenas 4% representam as vendas de genéricos.
Segundo os organizadores do evento, o objetivo era juntar presidentes, diretores e executivos das indústrias farmacêuticas nesse segmento para depois apontar novos caminhos e soluções, que resultem no benefício de negócios para todos os países envolvidos, mas sem se esquecer dos pacientes que necessitam desses medicamentos.
Para Robert Milanese, presidente da National Association of Pharmaceutical Manufacturers, ainda faltam muitos itens para o Brasil aumentar sua venda de genéricos. O mais importante seria passar credibilidade e buscar um apoio concreto do governo. Nos Estados Unidos, 43% de todas as receitas prescritas são de genéricos. Isso acontece em grande parte, pois os planos de saúde americanos fornecem esses remédios, coisa que não acontece por aqui, afirmou ele.
Ontem, o secretário estadual de Saúde, Gilson Cantarino, determinou a proibição da comercialização de produtos da empresa paulista Hiperimune Farmacêutica e Biológica Ltda, bem como do lote 00275 do medicamento Dualid S. 75mg, do laboratório Asta Médica Ltda, usado para emagrecimento. As resoluções serão publicadas hoje no Diário Oficial do Estado, determinando também a fiscalização no comércio para confirmar a retirada dos produtos.
A proibição da venda dos medicamentos têm razões diversas. A Hiperimune, especializada na produção de vacinas antialérgicas, havia sido fechada em 1995 por não apresentar condições de funcionamento e higiene. A Vigilância Sanitária de São Paulo descobriu, no entanto, que a empresa voltou a funcionar clandestinamente, na Rua São Januário, em Parada Inglesa. Entre os medicamentos produzidos pela Hiperimune estão: Miltilerg, Histamin, Rinocrom, Disidrigen, Herpegen, Insecta, Aligen, Respitrat, Respitrat GR e o concentrado Respitrat GR. A empresa foi novamente fechada.
No caso do Asta Médica Ltda, ao contrário, foi o próprio laboratório quem informou a adulteração do lote 00275 do Dualid, por meio de um comunicado aos consumidores, publicado na imprensa no úlitmo dia 2. Foi constatado que, em vez do cloridrato de anfepramona (substância anorexígena, usada para inibir o apetite), o lote continha cumarina e troxerrutina, que têm efeito anticoagulante e podem provocar hemorragias. A troca das substâncias representa elevado risco para a saúde. O comunicado alerta ainda para o fato de as cápsulas originais serem de cor alaranjada, enquanto que as falsificadas são amarelas.


