Brasília, 27 (AE) - O ministro-chefe do Gabinete Militar, general Alberto Cardoso, anunciou hoje que vai processar criminalmente os responsáveis pelas acusações, segundo ele falsas, de que teria combinado o conteúdo de depoimentos com outras duas testemunhas do inquérito sobre o grampo no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em tom indignado, o militar desmentiu ter acertado com o chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no Rio, João Guilherme dos Santos Almeida, e com o agente Temílson Antonio Barreto de Resende, o Telmo, o que dizer à Polícia Federal (PF) sobre o caso.
Reportagem publicada hoje no jornal "Correio Brasiliense" afirmava que outro grampo, supostamente feito pela PF com autorização da Justiça, teria gravado os contatos em que os três teriam combinado o que dizer.
"Tudo o que está aí não é verdade", disse ele. "Não houve nenhuma ligação minha combinando depoimento, porque não havia o que combinar." Cardoso declarou ainda não conhecer Telmo e que, em suas conversas com Almeida, conversou sobre o assunto "entre muitos outros", mas sem acertar nada. Ele disse ainda que não houve determinação institucional para que o BNDES fosse grampeado. "Deixo bem claro aqui: se foi da área do nosso pessoal, não foi institucional, no sentido de ter partido uma ordem minha ou do De Cunto (Ariel De Cunto, chefe da Subsecretaria de Inteligência
atual denominação da Abin, que ainda vai ser oficialmente criada)", disse ele. "Agora, nenhum órgão no Brasil ou no mundo está livre de ter pessoas que façam uma coisa dessas."
Cardoso elogiou o líder do PDT na Câmara, deputado Miro Teixeira, que ontem (26) afirmara que estar estudando a possibilidade de fazer um projeto para anistiar dois funcionários da Abin que teriam participado da escuta no BNDES. "Pessoalmente, apóio tudo que possa ajudar a apurar isso aí", afirmou.
Cardoso contou ter determinado uma varredura em suas linhas telefônicas, mas afirmou acreditar que, àquela altura, se havia grampo, já fora, provavelmente, retirado. O ministro afirmou não saber ainda que processo será ajuizado, embora especulasse que, provavelmente, será algo sobre calúnia ou injúria. As providências judiciais estão a cargo dos advogados Arlindo da Fonseca Antônio e Adilson de Lizio. O general afirmou que a indignação, que inicialmente era de todo o governo com o caso envolvendo o nome do presidente da República, agora é pessoal. "Estou indignado por mim mesmo."
O ministro da Justiça, Renan Calheiros, enviou hoje carta a Cardoso desmentindo que a PF tivesse obtido autorização judicial para fazer escuta telefônica das linhas que servem a Cardoso. Calheiros informou no documento ter perguntado ao diretor do Departamento de Polícia Federal, Vantuil Jacini, e ao delegado Rubens Grandini, que preside o inquérito sobre o grampo, se teria sido feito o grampo. A resposta foi negativa.

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