Rio, 14 (AE) - O chefe do Gabinete Militar, general Alberto Cardoso, vai depor amanhã (15) à Polícia Federal, em Brasília, sobre o caso do grampo telefônico no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O pedido para ouvir o general - que disse à imprensa, no ano passado, ter encontrado as fitas com as gravações clandestinas embaixo de um viaduto em Brasília, depois de um telefonema anônimo - partiu do Ministério Público Federal do Rio, que solicitou também o depoimento do ex-secretário da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas. O ex-secretário é citado em várias reportagens como a pessoa que divulgou as fitas.
Do general, a PF quer saber exatamente como encontrou as fitas. Ambos são os que se chama, no jargão jurídico, de "testemunhas referidas" - ou seja, foram mencionadas por outras pessoas ouvidas no inquérito. Por ter status de ministro, o general Alberto Cardoso será ouvido em seu gabinete. Ele chegou a agendar o depoimento para a semana passada, mas desmarcou em cima da hora. O depoimento de Eduardo Jorge não foi ainda marcado.
O delegado federal Rubens Grandini, encarregado do caso, já ouviu cerca de 50 pessoas. Há algumas semanas, chegou a pegar o depoimento do ex-superintendente da Polícia Federal do Rio, Jairo Kullmann. Numa reportagem da revista Carta Capital, sobre conversas grampeadas do ex-diretor-geral da PF, Vicente Chelotti
Kullmann aparece dizendo que deveria ser mantido controle sobre as investigações a respeito do grampo.
O inquérito deve ser encerrado até o final do mês. Há dois meses, quando os autos chegaram ao Ministério Público Federal, houve um protesto formal do MPF sobre a falta de consistência da investigação.

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