General revelou a procurador da Justiça Militar quem o avisou sobre bomba
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 14 (AE) - O procurador-geral da Justiça Militar, Kléber de Carvalho Coêlho, sabe quem, antes das explosões do Riocentro, avisou ao general Newton Cruz que um grupo de militares pretendia "marcar presença" com a detonação de uma bomba durante o show de 1º de maio. A informação foi divulgada hoje pelo próprio Cruz, que afirmou ter dito os nomes a Coêlho, durante conversa em sua casa, em 22 de abril, ante uma testemunha. O militar reafirmou que pretende depor no novo inquérito sobre o caso, mas não revelará quem foi o informante, por não ser legalmente obrigado a o fazer.
Segundo Cruz, o procurador recebeu a informação quando esteve em sua casa para ouvir o depoimento dele, acompanhado do diretor-geral da Procuradoria, delegado Nelson Marabuto Domingues, que testemunhou a conversa. O general da reserva, contudo, disse não ter aceitado que fosse tomada a termo (transcrita oficialmente) a parte das declarações na qual apontou dois oficiais que teriam avisado ao Serviço Nacional de Informação (SNI) o estava para acontecer. Um dos militares passou a informação por telefone do Rio para Brasília, onde outro a recebeu e avisou ao general, então chefe da agência central do serviço, do que ía ocorrer.
"O procurador está autorizado a dizer os nomes que lhe passei", afirmou Cruz. Ele disse que, na noite do atentado, quando soube da ação no Riocentro, os militares tinham saído para "botar a bombinha na casa-de-força", mas ressaltou que não se referia dos dois homens que estavam no Puma que explodiu. "Estão confundindo; uma coisa era a bomba da casa-de-força, outra a do capitão (Wilson Machado) e do sargento (Guilherme do Rosário), que agiram sozinhos." O general insiste, dessa forma, na tese de que um grupo de militares queria apenas "chamar a atenção" com uma explosão pequena, e que os dois militares que estavam no carro que explodiu teriam agido por conta própria e sido vítimas de uma explosão acidental. O capitão e o sargento, segundo essa versão, queriam apenas fazer uma detonação mais forte, mas também sem ferir ninguém. Eles não queriam atingir a da casa-de-força. O gabinete de Coêlho não desmentiu que o procurador tivesse recebido a informação. Um assessor disse, porém, que Cruz, uma vez sob juramento no inquérito, terá de revelar oficialmente os nomes.
O general afirmou que a Lei 4.341/64, que criou o SNI, isenta os servidores do extinto órgão de prestar qualquer tipo de declaração sobre funcionamento, organização e efetivos. Há ainda, afirmou Cruz, dispositivos que protegem o sigilo nos Códigos Penal Militar e de Processo Penal. "É como pedir para abrir o segredo de profissão, um jornalista ser obrigado a revelar uma fonte, por exemplo", comparou.
Cruz lembrou que, quando era do SNI, foi intimado a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Capemi e respondeu que só poderia ir se fosse autorizado pelo ministro do Exército, pela chefia do serviço e se o quisesse. Um parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, segundo ele, confirmou essa opinião. "Tenho até hoje esse parecer, que criou jurisprudência", afirmou. O general criticou Coêlho, que, segundo ele, "está jogando para a arquibancada".
"O procurador veio aqui em casa, conversou, tomou cafezinho, comeu pão de queijo e agora joga pedra?", indagou o militar. "Acho que um procurador tem de falar nos autos, não na imprensa."


