Brasília, 10 (AE) - O ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, reagiu hoje às insinuações de que a Secretaria de Inteligência do governo, que ele comanda, estaria por trás da instalação do grampo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante o processo de privatização da Telebrás. "É tudo uma grossa mentira", afirmou o general, depois de acrescentar que, "pelas próprias matérias publicadas, tudo leva a crer que pessoas de dentro da Polícia Federal estão divulgando informações inverídicas para a imprensa".
O general Cardoso considera "um absurdo pessoas que trabalham para um órgão de Estado (Polícia Federal) trabalharem contra outro órgão de Estado (Secretaria de Inteligência)". Ele fez questão de defender a instituição Polícia Federal, "onde a maioria dos integrantes é de pessoas sérias e profissionais". Cardoso disse que não tomará atitude legal contra aqueles que entende estariam alimentando a imprensa com informações, porque se sente "constrangido, como chefe de um órgão do Estado, de ter de agir contra pessoas de outro órgão do Estado". Basta - O presidente Fernando Henrique Cardoso, que está descansando com a família em seu sítio, em Ibiúna, no interior de São Paulo, quer um fim para essa história. Ele tem desabafado com seus assessores que "não aguenta mais essa novela do grampo do BNDES, que parece não ter fim". Alberto Cardoso conversou na sexta-feira e no sábado com o presidente sobre o assunto. Ele desistiu de acompanhar FHC, na sexta-feira à Tabatinga, no Amazonas, para cuidar pessoalmente de mais esse capítulo da novela da escuta no BNDES.
O general afirmou que a orientação do presidente é não levar a público problemas internos do governo. O general declarou que o trabalho que a inteligência do governo está fazendo no BNDES foi a pedido do então ministro do Planejamento, Paulo Paiva, aprovado pelo ex-presidente do órgão, Pio Borges. Trata-se, conforme explicou, do detalhamento do programa de proteção ao conhecimento, encomendado em dezembro e iniciado em março, que está sendo executado em nove etapas e será concluído em dezembro. "O projeto visa implantar medidas de segurança de pessoal, de documentos, das áreas e instalações, das comunicações e dos sistemas de informações", informou o general.
Cardoso rebate também informação de que o chefe do setor de Operações da Inteligência, Gercy Firmino da Silva, não tinha sido comunicado da existência das duas fitas contendo as gravações das conversas grampeadas no BNDES. Ele sustenta que Gercy foi informado das fitas por intermédio de um telefonema anônino para o seu telefone de ramal, no trabalho. "O telefone dele é ligado a uma central eletromecânica e só registra as chamadas recebidas interurbanas e a cobrar", explicou. Esse sistema, acrescentou, não registra as chamadas urbanas, conforme a Telebrasília pode atestar.

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