General Obasanjo vence eleição e volta ao poder na Nigéria
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de fevereiro de 1999
France Presse 
O ex-presidente Olusengun Obasanjo venceu com ampla maioria as eleições presidenciais na Nigéria e dirigirá o primeiro regime civil no país em 15 anos, segundo os resultados oficiais obtidos ontem pela AFP.
O general obtinha na noite de ontem mais de 62,7% dos votos e superava com folga o candidato Olu Falae, após a apuração em 33 dos 36 Estados da federação e em Abuja, a capital federal, de acordo com a apuração oficial.
Os partidários de Falae denunciaram diversas irregularidades, o que foi confirmado por observadores ocidentais, mas segundo estes mesmos observadores, os resultados refletem o desejo dos nigerianos.
Obasanjo, candidato do Partido Democrata Popular (PDP, centro esquerda), de 61 anos, foi presidente entre 1976 e 1979 e o primeiro chefe de Estado militar do continente africano a entregar o poder a civis democráticamente eleitos.
O PDP obteve há dez dias a maioria absoluta no Parlamento, formado por uma Câmara de Representantes e um Senado. O PDP também venceu as eleições municipais de dezembro passado e as regionais de janeiro.
O general, que promete reconstruir um país mergulhado na corrupção e resolver definitivamente problemas básicos como a interrupção no fornecimento de energia e de combustíveis, foi beneficiado pelas divisões dentro da aliança adversária.
Olu Falae, também de 61 anos, um respeitado economista, foi ministro das Finanças de outro regime militar no final dos anos 80. No sábado, Falae disse que respeitaria uma eventual vitória de Obasanjo se esta fosse justa e equitativa.
Falae, do Partido de Todos os Povos, integrado principalmente por conservadores e partidários do antigo regime militar, foi apoiado pela Aliança pela Democracia (AD, progressista), identificada com os interesses da comunidade Yoruba do sudoeste do país.
Os dois candidatos são naturais do sudoeste do país.
As eleições de sábado constituiam a última etapa de um processo eleitoral para a devolução do poder aos civis, impulsionado pelo general Abdulsalami Abubakar, atual chefe de Estado nigeriano, após 15 anos de regime militar no país mais povoado da África (108 milhões de habitantes).
A Nigéria é o sétimo produtor mundial de petróleo, que responde por 95% de suas divisas.


