Paris - A Justiça francesa condenou ontem em Paris o general Paul Aussaresses a uma multa de oito mil dólares por ‘‘cumplicidade de apologia de crimes de guerra’’ em um livro de memórias sobre a guerra da França contra a independência da Argélia.
Seus dois editores foram condenados, cada um, ao dobro desta soma: a editora Plon por ‘‘apologia de crimes de guerra’’ e Perrin, de Plon, por ‘‘cumplicidade’’.
O militar anunciou de imediato que apelará contra a sentença.
O general Aussaresses, de 83 anos, publicou em maio passado o livro ‘‘Serviços especais, Argélia 1955-57’’, no qual conta as torturas e execuções que realizou na Argélia durante aquela guerra, com o apoio de seus superiores e inclusive autoridades do governo civil em Paris.
Esse tema foi durante muito tempo um tabu na França, que oficialmente pretendeu negar que a guerra da Argélia tenha sido uma guerra e que se tenha praticado tortura e execuções sumárias, como denunciavam os independentistas argelinos e seus apoios franceses da metrópole.
‘‘Esse livro justifica de forma chocante e totalmente indesculpável os abusos cometidos durante a guerra da Argélia’’, declararou a promotoria quando pediu ao tribunal uma multa equivalente a 16 mil dólares para os acusados.
Acrescentou que o testemunho do general Aussaresses ‘‘existe’’, mas que foi explorado pelos meios de comunicação para vender um livro.

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