Brasília, 20 (AE) - O general Newton Cruz, de 74 anos, ex-chefe da Agência do Serviço Nacional de Informações (SNI), no governo João Baptista Figueiredo, avisou hoje que vai processar o general Sérgio Conforto, encarregado do novo inquérito policial militar do Riocentro - por difamação e danos morais - por tê-lo indiciado no IPM por falso testemunho e desobediência.
"O Exército não teve a menor consideração comigo", afirmou o general, indignado, ao afirmar que foi informado do resultado do IPM pela imprensa e que processará também a autoridade que der o "de acordo" para o encaminhamento do processo à Justiça, que deve ser o comandante do Exército, general Gleuber Vieira. "Isentaram o Exército e colocaram-me como bode expiatório", afirmou Cruz, que lembrou que, se ele for indiciado, o general Octávio Medeiros, ex-ministro do SNI, também terá de sê-lo porque era o superior hierárquico dele e o responsável pelo serviço.
Até sexta-feira (22), o Comando do Exército encaminha à Procuradoria da Justiça Militar o relatório preparado por Conforto, chamado por Cruz, ironicamente, de "Desconforto, pelo desconforto e os problemas que está lhe causando agora". O Exército nega-se a comentar o teor do IPM, alegando que o Artigo 16 do Código de Processo Penal Mlitar determina que o assunto seja tratado sob sigilo. Pelo IPM, o coronel Wilson Machado, que hoje trabalha na Diretoria de Movimentação, foi indiciado por homicídio qualificado.
Cruz insistiu que só soube que haveria uma bomba a ser posta no Riocentro, uma hora antes de ela explodir. Ele rechaça a acusação de que soube, com 45 dias de antecedência, que haveria a explosão, motivo pelo qual está sendo indiciado por falso testemunho.
"Impossível", disse ele, que acredita que essa informação teria sido dada por Medeiros. "Eu acho que liguei para ele quando soube porque sempre fazia isso, e isso foi uma hora antes da explosão, quando não havia mais o que fazer, já que a operação estava em curso e, naquela época, não existia telefone celular", atacou.
Para Cruz, Machado deveria ter sido indiciado no primeiro inquérito, feito pelo então coronel Job Lorena da Santana, por prática de crime de explosão de bomba, que prescreveu, e não agora. "Este inquérito, agora, é mais artificial do que o do Job", prosseguiu ele, ao avisar que Machado não pode ser considerado culpado pela morte do sargento Guilherme do Rosário. "Isso é mais do que estupidez, é burrice e uma invenção dizer que houve crime de dolo eventual", declarou Cruz, que lembra que os dois seriam igualmente culpados na função de autores de um crime de explosão de bomba, uma vez que, em missões desse gênero, não há comandante e comandado. "Eles foram solidários no mesmo crime", disse o general, que acredita que eles tenham ido para lá agindo por motivação própria, com o objetivo de marcar presença, como protesto pelos servidores da área de informações terem sido abandonados pelo governo.

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