O general Alberto Cardoso, chefe da Casa Militar da Presidência da República, culpou os comandos das Polícias Militares dos estados pela ‘‘quebra da disciplina e pela radicalização policial’’ geradas pelas greves das PMs em todo o País. Responsável pelo serviço de inteligência da Presidência, Cardoso disse não saber ainda os motivos que levaram os comandantes das PMs a permitirem as greves. ‘‘Podem ter sido por concordância, por fraqueza ou por omissão.’ ‘‘Em toda a história das Polícias Militares do País, esse é o momento mais grave de quebra de disciplina’’, afirmou Cardoso.
O general foi indicado por FHC para acompanhar as greves das PMs em todo o País. Para Cardoso, as reivindicações das PMs ‘‘são justas em alguns casos’’. Mas, segundo ele, ‘‘nada justifica o que está acontecendo’’ com as manifestações de policiais por aumento de salários. ‘‘Houve um afrouxamento da disciplina por parte dos comandantes das polícias’’, afirmou. Disse não acreditar que as greves das PMs gerem um ‘‘efeito dominó’’ junto às Forças Armadas, ‘‘onde o sistema de hierarquia e disciplina é muito mais arraigado’’.
O general afirmou que a crise das PMs vai contribuir para que se faça uma reforma em toda a estrutura policial do País. Segundo ele, essas mudanças devem ser concluídas dentro de dois ou três anos. Mas não quis dizer o novo modelo que defende para as polícias.
Uma subcomissão para avaliar a qualidade das polícias Militar e Civil de todo o País foi criada ontem, por integrantes da Comissão de Estudos sobre Órgãos de Segurança Pública durante reunião no Quartel da Polícia Militar do Rio. O objetivo é fazer um retrato do desempenho educacional, físico e as condições salariais que são oferecidas aos policiais militares e civis.

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