General critica Garotinho na Assembléia Legislativa do Rio
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Andreia Maia 
Rio, 13 (AE) - O general do Exército José Siqueira da Silva, demitido há duas semanas pelo governador Anthony Garotinho do cargo de Secretário de Segurança, foi ouvido hoje pelos deputados da Comissão de Segurança da Assembléia Legislativa Fluminense (Alerj) e não poupou críticas ao ex-chefe. Disse que "a maturidade política do governador não lhe permite ainda perceber que molecagem se faz com moleques e canalhice, com canalha." Ele referiu-se à forma como foi demitido - um aviso pelo telefone, feito pelo chefe de gabinete do governador - e disse que sua saída teve relação com as declaração do governador, de que no carnaval havia ocorrido no Estado apenas quatro homicídios, fato mais tarde desmentido pelos próprios números da violência, que somaram mais de 100 assassinatos no período.
Siqueira criticou ainda o seu então subsecretário, o sociólogo Luiz Eduardo Soares que, segundo ele, é de fato o secretário de Segurança. "Ele interferia em áreas que não eram de sua competência", mas com o aval de Garotinho. "Pena que o governador não teve a coragem de me avisar da demissão da mesma forma que usou quando da minha nomeação." No final do seu depoimento o general faz uma espécie de alerta: "Finalmente aos fatos que acabei de narrar, se por um lado são simplesmente lamentáveis, por outro, servem para delinear mais um pouco o perfil de um dos candidatos a governar o Brasil a partir de 2003", disse o militar demitido. O governador Anthony Garotinho convocou entrevista coletiva, mas não quis fazer qualquer comentário sobre o depoimento do general.
Além de Siqueira, também prestou esclarecimento à Comissão o coronel da Polícia Militar Romeu Antônio Ferreira, demitido do cargo de diretor do Centro de Inteligência de Segurança Pública (Cisp). Ele negou que tenha mandado grampear telefones do alto escalão do governo do Estado. Ferreira esteve envolvido no escandâlo sobre a possível existência de grampo nos telefones de membros da cúpula da segurança.
"Essa história de grampos é um absurdo", disse. "Isso tudo não passou de uma invenção do subsecretário Luiz Eduardo Soares, para tornar-se um homem forte do governo Garotinho", acusou o militar. Segundo Ferreira, Luiz Eduardo havia reclamado de ruídos em seu telefone celular e nos residenciais, e pediu ajuda ao Cisp para investigar a hispótese de grampo nos aparelhos. "Nós pedimos auxílio à Telerj, que informou que os ruídos não poderiam ser detectados como grampos, pois poderiam ser barulhos das próprias linhas", explicou o militar.
"Estranhamente, dois dias depois de ser comunicado sobre a observação da Telerj, Luiz Eduardo procurou os meios de comunicação e disse que os seus telefones foram grampeados", afirmou Ferreira. O subsecretario de Cidadania acusou o Cisp de ter feito o grampo em seu celular e nos telefones de sua casa.
Ferreira disse que a crise deflagrada na cúpula da secretaria de Segurança Pública deve-se a um problema particular entre Luiz Eduardo e o ex-chefe do setor de contra-informação do Cisp, coronel Marcos Paes, que também foi afastado do cargo. "Luiz Eduardo implicou com a nomeação de Paes por fatores pessoais e desconhecidos da secretaria", frisou Ferreira.


