General Cardoso vistoria Polígono da Maconha e rebate críticas
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por ¶ngela Lacerda 
Salgueiro, PE, 02 (AE) - O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, disse hoje em Salgueiro (PE) encarar com naturalidade as críticas, resistências e questionamentos em relação ao papel da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) como à Operação Mandacaru (coordenada por essa secretaria). "É só uma questão de tempo", afirmou. "A Senad vai vencer e essa região vai deixar de ser o polígono da maconha."
Ele reiterou que o final da Operação Mandacaru, que deve ter duração de dois meses, não vai representar um vazio para a região, garantindo que haverá um acompanhamento para evitar que a saída da força-tarefa seja seguida de uma onda de assaltos e retorno dos plantios de maconha.
Amanhã (03), ele faz uma avaliação da operação em entrevista coletiva à imprensa, no município de Floresta, também integrante do polígono.
Hoje, Cardoso visitou áreas beneficiadas pelo Projeto Moxotó-Pajeú - de crédito a pequenos agricultores, incentivando culturas lícitas na área - e acompanhou as atividades da Operação Mandacaru.
A Operação envolve um efetivo de 1,5 mil policiais federais e das Forças Armadas e entrou em funcionamento na segunda-feira. Nos três primeiros dias de atuação, em 72 plantios foram erradicados 188,5 mil pés de maconha, 117,8 mil mudas e 111 sementeiras foram destruídas.
Também foram apreendidas 101 quilos de maconha pronta para consumo e 10 pessoas foram presas. Uma delas, Joel Batista Cavalcanti Filho, por porte de 100 gramas da droga.
O pároco de Salgueiro, padre Remy Vettor, foi convocado hoje a depor na delegacia municipal por ter dado entrevista afirmando que policiais da reserva da Polícia Militar e políticos eram os responsáveis pelo tráfico de maconha na região. Segundo ele, todo mundo sabe quem eles são, mas ninguém ousa denunciar pela certeza de não continuar vivo. O pároco afirmou ainda que eles são protegidos e amparados pelo sistema.
O delegado regional Vamberto Gomes de Souza disse ter convocado o padre para que citasse os nomes para que a polícia tome as providências. O padre disse que não podia atender ao pedido porque "alguma coisa" que sabia foi ouvido em confissão. Outras informações eram do conhecimento da população que não tem coragem de denunciar. Por isso vem estimulando a comunidade (ainda sem sucesso) a dizer o que sabe - através de mensagens anônimas - para que a Ação Pastoral da paróquia possa assumir as denúncias.
Remy Vettor disse que vai continuar acusando políticos e policiais de forma genenérica, mesmo que isso lhe custe um processo por injúria.


