General Cardoso quer mudar ações de combate ao tráfico
Brasília, 30 (AE) - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança, general Alberto Cardoso, disse hoje, durante seminário sobre lavagem de dinheiro, que o Brasil está passando rapidamente da condição de país de trânsito da droga à Europa e aos Estados Unidos para também país consumidor. Por este motivo, ele salientou a necessidade de direcionar as ações de combate ao narcotráfico para os interesses do País. Cardoso disse que o País não pode se transformar num "tanque de contenção da droga".
O relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), criticou a política de combate às drogas dos Estados Unidos, por priorizar a apuração e repressão às rotas internacionais do tráfico de drogas, em vez de visar à desmobilização dos esquemas de abastecimento do mercado de consumo interno. O general Alberto Cardoso, responsável pela segurança institucional do governo, concordou com Torgan sobre a prioridade ao mercado interno.
"Toda vez que os EUA oferecem ajuda a um país para combater o tráfico, aquele país deixa de ser rota e vira mercado de consumo de drogas", disse o relator da CPI, citando como exemplos a Venezuela e Aruba. Neste último, há 2000 viciados para apenas 100 mil habitantes, segundo dados do Parlamento Latino-Americano.
O secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovich, sugeriu que o combate à lavagem de dinheiro seja feito a partir de operações que ele chamou de "transnacionais" para impedir que os beneficiados retirem recursos ou mercadorias em outros países.
Maierovich acredita, ainda, que, a exemplo do que já foi feito nos Estados Unidos, a infiltração de agentes de inteligência e policiais em ações de lavagem poderá ajudar no combate ao crime. Em regiões de fronteira, ele defende a escuta ambiental pois, segundo assegurou, "todas as comunicações são feitas por rádio".
Sigilo - O sigilo bancário é o maior entrave ao combate da lavagem de dinheiro. A afirmação é do chefe do Departamento de Combate aos Ilícitos Financeiros (Decif), Ricardo Liao. Ele disse que o BC já recebeu denúncias sobre um total de 500 operações suspeitas e, no entanto, somente por ordem judicial os órgãos do governo poderiam investigar estas operações. "Se não se tem as informações mínimas, como chegar a informações maiores", afirmou Liao. Ele reconhece que o Banco Central tem as informações, mas não pode fazer muito com os dados de que dispõe. O fechamento de uma conta, segundo Liao, só está previsto se o banco detectar que o correntista deu dados errados ou falsos no preenchimento de seu cadastro.
O coordenador-geral de Pesquisas e Investigações da Receita Federal, Deomar de Moraes, afirmou que, segundo dados do Fisco dos Estados Unidos, a lavagem de dinheiro hoje movimenta em torno de US$ 1 trilhão. Ele deixou claro que o combate à lavagem de dinheiro poderia contar com uma maior contribuição dos bancos
pois "todo gerente tem conhecimento de quem é o seu cliente".
Liao e Moraes participaram hoje do Seminário Internacional sobre Lavagem de Dinheiro que está sendo promovido Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Confrontando a afirmação de Moraes, o representante da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Hélio Ribeiro Duarte, assegurou que "os bancos se opõem aos crimes". Duarte citou dados Febraban que indicam que, este ano, os maiores bancos de maior rede no país - Bradesco, HSBC, Itaú e Unibanco - enviaram um total de 499 mil documentos respondendo a solicitações judiciais. As CPIs, por exemplo, enviaram 822 pedidos às instituições, que foram respondidos. "Os bancos têm feito tudo e farão para evitar serem vítimas de ações criminosas", disse.
No trabalho conjunto com o Coaf, o Banco Central vai se limitar a prestar informações que não quebrem o sigilo bancário dos envolvidos. Mais especificamente, o BC poderá informar o nome da pessoa ou da empresa, o número do CPF ou do CGC, o tipo de ocorrência e onde ela aconteceu. Mas o BC estará impedido de dizer o nome do banco, a agência e o número da conta da pessoa suspeita.Por Soraya de Alencar e Mariângela Gallucci Atenção Editor: Reúne informações das retrancas NARCOTRAFICO/RELATOR e NARCOTRAFICO/LAVAGEM/SEMINARIO





