Gene mutante pode ser responsável pela diabete tipo 1
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 08 (AE) - Uma pesquisa inédita do Departamento de Genética Médica do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), identificou o gene mutante galanina humana como o possível responsável pela diabete do tipo 1 no homem. Os cientistas descobriram que o gene se localiza na mesma região cromossômica envolvida nesta doença e que participa do processo de inibição da liberação de insulina. O estudo pode possibilitar, no futuro, a aplicação de uma terapia gênica preventiva - "consertar" o gene para que a doença não se desenvolva.
"A localização genética similar da galanina e da região envolvida no diabetes tipo 1, e o papel da galanina na liberação da insulina fazem com que o gene seja um forte candidato a responsável pelo desenvolvimento dessa doença", explicou a coordenadora do estudo, Letícia Fonseca, especialista em genética molecular. "Precisamos agora comprovar a relação do gene com a doença e definir de que forma ele atua para o aparecimento da diabetes." Essa é, precisamente, a segunda etapa da pesquisa, que pretende confirmar, em amostras de sangue de 350 portadores da doença do Rio e de São Paulo, as suspeitas dos pesquisadores.
A pesquisa está sendo feita em colaboração com o laboratório do Dr. Robert Nicholls, pesquisador de Genética Molecular, da Case Western Reserve University, Cleveland, USA, e com o laboratório de Diabetes do Dr. Jinxiong She, da University of Florida, USA. No futuro, segundo Letícia, pode-se desenvolver uma terapia gênica, em que as células com os genes mutados (com alteração na sequência de DNA) são "consertadas", impedindo o desenvolvimento da doença.
Na avaliação do vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, José Egídio de Oliveira, o estudo é promissor. "Mutações genéticas relacionadas a outros tipos de diabetes já foram comprovadas", lembrou. "E as terapias gênicas são possíveis." Para a chefe do Setor de Diabetes do Hospital Pedro Ernesto, Marília Gomes, deve-se ter cuidado apenas com a possibilidade de efeitos colaterais. "As terapias de prevenção são complicadas porque devem ser aplicadas antes de a pessoa desenvolver a doença", explicou. "E, às vezes, as pessoas nem a desenvolvem e acabam sofrendo com efeitos colaterais." Segundo Letícia, é muito cedo ainda para avaliar efeitos colaterais.
"A terapia não foi desenvolvida, nem testada", afirmou. O diabetes mellitus tipo 1 é uma doença caracterizada pela destruição das células secretoras de insulina, o que causa danos que podem levar à cegueira, à deficiência renal e à redução na expectativa de vida. Os pacientes desse grupo são dependentes do uso terapêutico da insulina e, na maioria dos casos, a doença se desenvolve na infância ou adolescência.


