Washington - Uma mudança sutil em um gene comum a humanos e macacos, produzida provavelmente há 200.000 anos, desenvolveu a capacidade da fala, segundo uma equipe internacional de cientistas.
O gene FOXP2, que regula alguns movimentos do rosto e das mandíbulas, também está presente em ratos e outros mamíferos há milhões de anos. Mas nos seres humanos ocorreu uma alteração genética que permitiu a fala, afirmam os cientistas em artigo publicado na revista ''Nature''.
Wolfgang Enard, um especialista em antropologia evolutiva do Instituto Max Planck de Leipzig, na Alemanha, e outros cientistas da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, descobriram que nos humanos o gene apresenta uma modificação em apenas dois aminoácidos, na sequência das letras nas quais a informação genética é escrita.
Enard reconhece que não se trata de um gene que possibilita a linguagem, um complicado processo mental que requer, sem dúvida, a participação de muitos outros genes. Mas parece estar implicado nas características mandibulares e faciais que possibilitam a fala.
Alguns cientistas sustentam que os macacos e outros primatas podem ter uma linguagem, uma possibilidade que suscitou inúmeras controvérsias na ciência, mas não têm a capacidade de articular a fala.
John Haught, professor de Teologia da Universidade de Georgetown, em Washington, afirma que a pesquisa demonstra que humanos e macacos compartilham 99 por cento de seu material genético, ''mas uma diferença sutil em um gene pode ser extremamente importante''.
O mais difícil de assimilar, destacou Haught, ''é o fato de a linguagem e a cultura serem tão dependentes de uma diferença genética tão pequena, que permitiu certo tipo de movimentos faciais em nossos antepassados''.
Os cientistas que analisaram o gene FOXP2 comprovaram que quando falha nos seres humanos uma das duas cópias funcionais do gene, decorrem dificuldades na fala.
A mudança que permitiu nos humanos a capacidade da fala aparentemente ocorreu nos aminoácidos do DNA das células na região ocupada pelo FOXP2, o que determinou um funcionamento diferente das proteínas regidas por esse gene.

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