Gêmeos nascem após morte cerebral da mãe
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Foram 123 dias até que os gêmeos Anna Vitória e Azaphe vencessem a primeira batalha pela vida. A mãe Frankielen Zampoli, de 21 anos, foi internada em outubro do ano passado em um hospital da cidade de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. A paciente chegou em coma após hemorragia cerebral grave. Exames constataram a morte cerebral de Frankielen. Já os batimentos cardíacos dos embriões permaneciam sem alteração. "Ela estava com nove semanas de gestação. Em razão disso, foram mantidos todos os aparelhos e suporte enquanto os batimentos cardíacos dos bebês permanecessem", contou o responsável pela UTI do hospital, Dalton Rivabem.
Segundo ele, boa parte da equipe médica estava descrente em relação ao desenvolvimento dos embriões. "Com o passar dos dias, semanas, meses... Aí sim foi-se criando uma esperança. Quando a gente percebeu, eles já estavam se desenvolvendo, a barriga já estava crescendo e aí o empenho da equipe foi cada vez maior", declarou.
Mais de 20 profissionais se envolveram com o caso de Frankielen. Com a notícia de que um fato semelhante havia ocorrido em Portugal no ano passado, a equipe procurou a ajuda de um médico que atua na Europa. Por lá, a gestação do bebê após a morte cerebral da mãe havia sido mantida por 107 dias. No Brasil, a meta era chegar até a 28ª semana, já que se tratavam de gêmeos. "Em vários momentos, achamos que não seria possível, que perderíamos tudo por causa de complicações no internamento. Foram complicações respiratórias e infecções. Graças a Deus tudo foi sendo resolvido", comemorou Rivabem.
Além do pai dos gêmeos, parentes, amigos, médicos, enfermeiros, psicólogos e musicoterapeutas acompanharam a gestação. Após 27 semanas, os bebês nasceram na última segunda-feira (20). A cesárea de emergência foi realizada na madrugada após Frankielen sofrer queda na pressão e na oxigenação. "Não conseguimos reverter. Os bebês são prematuros e estão em desenvolvimento. Eles permanecem internados na UTI Neonatal. Agora será uma nova batalha. São grandes as chances deles se desenvolverem", destacou o médico.
Após o nascimento dos bebês, a família autorizou a doação dos órgãos da paciente. Coração e rins foram encaminhados para transplante. O corpo de Frankielen foi enterrado nesta quarta-feira (22). Além dos gêmeos, ela deixa uma filha de 1 ano e 7 meses. "A gente acredita que a vontade dela de ter esses filhos era tão grande que ela superou a morte pra que eles vivessem", disse a mãe Angela Maria Souza da Silva, em entrevista à Folhapress. (Com Folhapress)


