Gêmeos deixam hospital após cirurgia
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quarta-feira, 01 de novembro de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Cinco dias depois de uma cirurgia de separação de siameses, os gêmeos Guilherme e Gabriel, de cinco meses, deixaram o Hospital Universitário (HU), ontem, em Londrina. Os dois estavam unidos pelo tórax e abdome, de frente um para o outro, e tinham o fígado e o pericárdio, membrana que envolve o coração, unidos.
Alheios aos flashes, os gêmeos aproveitavam tranquilos o colo dos pais Elton Éber Gomes, de 30 anos, e Evelyn Maria Gomes, de 24 anos. Os meninos são os primeiros filhos do casal, que descobriu que eles eram siameses na 13 semana de gestação. ''Foi um choque no começo, mas quando eles nasceram a gente já estava preparado'', disse o pai.
A mãe achou que tudo seria mais difícil por eles serem siameses, mas os últimos cinco meses foram uma questão de adaptação. ''Tudo a gente aprende a lidar, achava antes que seria um trabalho enorme, mas não se conhece um problema antes de tê-lo'', afirmou.
Unidos, os meninos ''não deram muito trabalho'', segundo a mãe, mas carregá-los era complicado. ''Era bem pesado, os dois juntos tinham 12 quilos'', lembrou.
Apesar de não querer se expor, ontem o casal reviu sua posição, e falou com a imprensa. ''A gente se espelhou em tantos outros casos, isso nos deu tanta força, que a gente achou que tinha que mostrar para outros pais e mães que pode dar tudo certo, que há uma cirurgia para resolver'', afirmou a mãe.
O casal conta que chegou a pensar em fazer a cirurgia fora de Londrina, mas que fizeram pesquisas de outros casos e foram orientados de que na cidade estava uma das melhores equipes na área.
A cirurgia, realizada na última sexta-feira, durou quatro horas e envolveu duas equipes com 19 profissionais, entre cirurgiões, anestesistas e enfermeiros. A parte mais demorada e perigosa, segundo o cirurgião pediátrio Lúcio Marchese, foi separar os fígados, que estavam ''fundidos''. Também foi necessário separar o pericárdio, para fechá-los em torno de cada coração.
A fisioterapia, feita nos meses anteriores, com a ajuda da mãe, foi fundamental para o sucesso do procedimento. Com a técnica, que nada mais era que tentar ''separar'' os meninos mecanicamente, foi possível esticar a pele e fazer o alongamento das paredes internas e dos músculos. ''Comecei com uma vez ao dia, porque irritava eles, mas depois fazia de duas a três vezes por dia'', contou a mãe. Isso possibilitou que na cirurgia houvesse pele suficiente para que o abdome pudesse ser recoberto e não fosse necessário prótese.
Depois da cirurgia, os meninos passaram apenas um dia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). ''Para mim, parece que eles nasceram de novo. Antes nem dava para pegá-los desse jeito'', disse o pai.
A expectativa agora é que os gêmeos tenham vida normal. ''Agora é só alegria, o que eles tiveram que passar, já passaram'', disse Evelyn.
Os meninos ainda deverão voltar ao hospital para retirar os pontos e terão que fazer fisioterapia até completar um ano, para corrigir o tórax e alguns problemas respiratórios.
O nascimento de gêmeos siameses é raro. Estatísticas apontam, no Brasil e nos Estados Unidos, 1 caso para cada 100 mil nascimentos. No HU, esse foi o terceiro caso de separação de siameses, o último em 85. Londrina ficou conhecida em todo país pelo caso das gêmeas Marta e Maria, que foram separadas na Santa Casa em janeiro de 1971.


