Brasília, 27 (AE) - Apesar de julgar indefinida a forma como os parlamentares se comportarão com relação ao veto à lei que anistiaria as multas eleitorais, o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA) reconheceu hoje que a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso atendeu à vontade da sociedade. "Era isso o que a opinião pública queria", constatou. Geddel disse que só saberá como os deputados peemedebistas vão reagir ao veto, depois de ouvir a bancada. A derrubada de vetos presidenciais e o restabelecimento da lei ocorre por maioria simples em sessões do Congresso. Quer dizer que a decisão pode ser adotada pela maioria de deputados e senadores que estiverem em plenário na ocasião. A anistia beneficiaria 10 governadores, 69 deputados, 20 senadores e milhares de candidatos derrotados nas eleições de 1996 e 1998. O prejuízo para a Justiça Eleitoral na eleição do ano passado seria da ordem de R$ 25 milhões, fora o descrédito de ter suas decisões anuladas sumariamente pelo Legislativo.
Geddel Vieira Lima disse que a iniciativa do presidente Fernando Henrique Cardoso é normal num regime democrático. "Ele exerceu uma de suas prerrogativas", constatou. "Agora, se o Congresso não concordar, que derrube o veto". O líder disse que mesmo conhecendo a reação negativa da população com relação à anistia, vai apoiar a decisão de sua bancada. Segundo ele, seria incoerente nesse assunto ficar ao lado da opinião pública, sem levar em conta os argumentos dos deputados de seu partido.
Já o deputado Luiz Antonio Medeiros (PFL-SP) afirmou que vai apoiar o veto de Fernando Henrique, apesar de julgar "injusta" a Lei Eleitoral, votada pelo próprio Congresso, que define os casos passíveis de multas. Medeiros citou como um exemplo de injustiça a impossibilidade de recorrer para anular multas que muitas vezes teriam sido provocadas por revanchismo e perseguição política de adversários.

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