Geddel acusa aliados de 'plantar' demissão de Calheiros
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Gerson Camarotti e Hugo Marques 
Brasília, 06 (AE) - O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), acusou hoje partidos aliados do governo, sem dizer quais, de ter "plantado" as notícias sobre as supostas demissão do ministro da Justiça, Renan Calheiros, e extinção da Secretaria de Políticas Regionais, ocupada pelo secretário Ovídio de ¶ngelis, afilhado político do senador Íris Rezende (PMDB-GO). "Tudo isso não passa de especulação barata e plantação de pessoas da base interessadas no espaço do PMDB", afirmou Lima.
Hoje, o presidente nacional do partido e líder da legenda no Senado, Jáder Barbalho (PA), chegou à Brasília para comandar uma estratégia ofensiva com o objetivo de manter o atual espaço do PMDB no governo. Barbalho deverá conversar com o presidente Fernando Henrique Cardoso esta semana para saber o que é verdade e o que é mentira sobre as intenções do Planalto. Mas hoje, o senador peemedebista preferiu ficar em silêncio para evitar polemizar o tema sem antes está bem informado sobre a situação.
Enquanto isso, Lima foi escolhido para sair em defesa do partido. "A reforma ministerial transformou-se numa ação contra o PMDB", avaliou o líder peemedebista. "Por que ninguém fala em mudar os ministros pefelistas Zequinha Sarney (José Sarney Filho, do Meio Ambiente), Rodolpho Tourinho (Minas e Energia) e Waldeck Ornélas (Previdência)?", ironizou Lima.
Ele lembrou que, até agora, o PMDB não foi consultado por Fernando Henrique sobre o assunto. "Portanto, essas plantações tem como objetivo atingir a autoridade do presidente da República e desarticular o governo", acusou o deputado peemedebista, logo depois de uma conversa telefônica que teve com Barbalho.
Barbalho defende a manutenção da pasta de Políticas Regionais, comandada por ¶ngelis, mesmo que, para isso, ela perca o status de secretaria de Estado.
Lima também falou com Calheiros, que estava indignado com matérias informando que ele havia conversado com correligionários e dava como certa a saída do governo. "Renan nunca falou isso com ninguém", afirmou Lima. "Diferentemente do que tem sido publicado, o PMDB espera fortalecer os seus espaços nessa reforma ministerial", observou. "É bom avisar aos navegantes: o PMDB está absolutamente satisfeito com todos os seus ministros", comentou o líder peemedebista, fazendo uma referência às atuações de Calheiros, ¶ngelis e do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
"Renan é a própria cúpula do PMDB; portanto, mexer em Renan para atender a opinião publicada é mexer na cúpula do PMDB", ameaçou Lima. Segundo ele, o interesse repentino pela pasta da Justiça aconteceu depois que Calheiros conseguiu dar visibilidade ao ministério.
"Continuo firme na palavra do presidente Fernando Henrique, que tem elogiado o partido e seus ministros", completou o líder do PMDB na Câmara.
A pressão dos partidos aliados para manter os atuais espaços na base aliada pode levar o presidente a fazer uma reforma ministerial bem menor do que a prevista originalmente. Isso acabará frustrando alguns interlocutores próximos de Fernando Henrique. Na noite de domingo (04), o presidente fez uma indicação para o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, de que a reforma seria bem menor do que estava sendo publicada pelos jornais.
Depois de um demorado jantar no Palácio da Alvorada, o presidente afirmou a Gregori: "Não vai ter essa grande mudança que estão esperando." Antes de sair do Alvorada, na madrugada de ontem (05), o presidente ainda fez uma última brincadeira com o secretário de Direitos Humanos. "Gregori, os jornais ainda não mexeram com você nessa reforma", ironizou o presidente. "Isso é porque eu não sou importante", respondeu Gregori, no mesmo tom.


