Curitiba - A geada da madrugada de ontem castigou as plantações de hortaliças da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A temperatura registrada de 2ºC foi a mais baixa do ano. Alface, brócolis, beterraba e acelga são alguns exemplos de plantas perdidas ou seriamente danificadas pelo gelo. O prejuízo foi semelhante ao da geada do final de maio, quando os termômetros resgistram 2,8ºC. A menor temperatura registrada no Paraná ontem foi de -1,7ºC, em União da Vitória.
''Ainda não dá para ver o quanto foi perdido. Mas, em maio, quando veio uma outra geada muito forte, tive um prejuízo de uns R$ 2 mil'', conta o produtor Jacinto Liceski. Ele diz que em algumas plantas mais sensíveis, como alface, é possível usar mantas por cima para protegê-las. Contudo, dependendo da intensidade da geada, isso custa caro e não dá resultados, já que as hortaliças congelam por baixo.
Muitos produtores não perderam toda a plantação, mas vão colher produtos de qualidade inferior. Os produtores Fábio Marcos Caetano e Sadenir Antônio Caetano contam que tiveram perda total nas plantações de brócolis e beterraba e que algumas outras culturas ficaram danificadas. ''Mesmo com o prejuízo ainda vale a pena vender os produtos afetados por um preço menor do que pagar a cobertura. Ela custa muito caro. Às vezes, vai a produção de todo o ano para pagá-las e nem vem tantas geadas assim'', explica Caetano.
O produtor Acir Falcade já está conformado em vender alguns de seus produtos como de segunda categoria, ou seja, por um preço inferior ao normal. Ele possui hortas de beterraba, alface, brócolis e cenoura e acredita que somente esta última vai ser de boa qualidade depois da colheita. ''Até cobri o alface, mas congelou por baixo e queimou do mesmo jeito'', lamenta.
O meteorologista Samuel Braun, do Sistema Metereológico do Paraná (Simepar), explicou que a geada de ontem foi de média intensidade. A previsão é de geada novamente hoje. Para o início da semana, o esperado é que esfrie a partir de segunda-feira e chova na quarta-feira. ''Por enquanto, a partir de segunda, não há mais chances de geada'', atesta Braun.
Tereza Gasparin Toniolo, produtora de alface há 30 anos, cansou de ter prejuízos por causa das geadas. Há dois anos ela financiou seis estufas e começou a produzr alface hidropônica. Ela conta que em um ano, a produção paga o custo da estufa. Hoje, uma caixa com 18 pés de alface plantados na terra e sem danos é vendida pelo produtor por R$ 5. Já uma caixa com 15 pés do alface hidropônico custa R$ 7.

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