São Paulo, 16 (AE) - Francisco José do Carmo Evangelista
de 18 anos, levou um tiro no pescoço na quadra de esportes da escola municipal Irmã Dulce, no Jardim Magdalena, na zona sul de São Paulo. A bala acertou-lhe a coluna cervical, o que poderá deixá-lo tetraplégico. Evangelista havia ido à escola, ontem (15) à noite, encontrar a namorada, uma aluna da 8.ª série. Acusado do crime, o guarda civil metropolitano Edson Bispo dos Santos, de 31, foi preso em flagrante pela tentativa de homicídio.
Este é o segundo caso, nesta semana, de tiros em uma escola. Na segunda-feira, o estudante Adelvan dos Santos, de 14, foi morto em frente de um colégio na zona sul. No caso de ontem, há duas versão: a dos guardas e a dos alunos. "Como a história dos guardas só era sustentada por eles, resolvi prender em flagrante aquele que foi apontado como o autor dos disparos", disse o delegado Roberto Olmedo Consul, do 47.º Distrito Policial.
Evangelista é ex-aluno da escola. Ele saiu ontem de casa
após trabalhar à tarde com o pai, um comerciante, e chegou ao colégio às 20h45. Entrou no pátio e encontrou-se com a namorada, com quem estava quando os guardas apareceram. Segundo a direção da escola, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi chamada às 21h30 para uma vistoria de rotina no colégio, por causa da presença de pessoas estranhas no pátio.
Na versão dos alunos, os GCMs abordaram, primeiro, os jovens que estavam em frente da escola, depois, foram ao pátio, onde fica a quadra de esportes. "Eles já chegaram atirando", disse Wadyson Fernandes Cavalcante, de 20 anos. Havia 20 pessoas na quadra. Todos correram. Cavalcante afirmou que ele, Evangelista e outros dois rapazes foram dominados por um dos guardas enquanto um outro guarda pegou o estudante Renato Leite, de 15.
"Eu estava abaixado e ele começou a me chutar", disse. Evangelista virou o rosto para ver o que estava ocorrendo com Leite. "Então, o guarda que estava com a gente atirou", disse Cavalcante. A vítima foi levada pela GCM ao pronto-socorro do Hospital do Campo Limpo, onde foi operada durante a madrugada. Até o começo da noite de hoje, permanecia internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Após o disparo, houve revolta dos alunos e de seus pais. Eles apedrejaram carros de professores e de funcionários do colégio, alegando que eles eram os responsáveis pela ação da guarda civil. Por causa disso, a direção da escola foi mudada hoje para evitar novas represálias. Guardas - A versão dos guardas-civis para o caso é bem diferente. Bispo dos Santos e seus dois colegas alegam que chegaram ao colégio por solicitação da direção porque a escola havia sido invadida por baderneiros. "Quando chegaram, eles foram recebidos a bala", disse Vlamir Landucci, advogado do guarda preso.
Ainda segundo ele, após esses tiros, os guardas dispararam para o alto. Queriam advertir quem atirava sem pôr em risco a vida de professores e alunos. "Quando os disparos pararam, um dos guardas achou o rapaz baleado na quadra e, ali próximo, uma pistola calibre 22".
O 47.º DP apreendeu a pistola e os revólveres calibre 38 dos três guardas para análises.

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