Salvador, 19 (AE) - O Grupo Gay da Bahia (GGB) declara amanhã (20) São Sebastião o padroeiro dos homossexuais. A entidade divulgará documento, "historiando" as supostas ligações do santo com o homossexualismo. Além disso, o GGB vai aproveitar o dia de São Sebastião para proclamar o Mosteiro de São Bento de Salvador, o santuário homossexual do Brasil. Do século 17, no mosteiro há uma estátua em tamanho natural do santo.
Os gays veneram São Sebastião desde a Idade Média, informou hoje o presidente do GGB, escritor Luiz Mott. Segundo ele a biografia do santo relata que Sebastião era o soldado romano preferido do Imperador Diocleciano (século 3) apontado por historiadores como um dos governantes homossexuais de Roma. O martírio de São Sebastião teria sido pelo fato dele ter acabado o "caso" com Diocleciano, depois de ter se convertido ao cristianismo. A suposta expressão efeminada do santo nos quadros e esculturas ao longo dos séculos, teria reforçado, na visão de Mott, a transformação do santo numa especie de ícone gay.
Sobre a escolha do Mosteiro de São Bento, como santuário gay, Mott recorre novamente à história para justificar. "Foi a primeira igreja consagrada no Brasil Colonial em homenagem a São Sebastião e abrigou ao longo dos anos vários homossexuais", disse, informando ter pesquisado o assunto na Torre do Tombo, de Lisboa, onde está o maior acervo sobre a Inquisição Portuguesa no Brasil.
"Tenho cópias de vários documentos e processos de monges sodomitas, perseguidos pela Inqusição", disse, contando que o mais famoso beneditino gay teria sido o poeta Junqueira Freire, autor de um poema com o sugestivo nome "A um moçoilo", onde confessa sua paixão por um rapaz. Mott também dispõe de farto material do último século sobre supostas práticas homossexuais entre beneditinos de Salvador e Olinda. Representantes do GGB participam da missa das 18 horas de amanhã (19), no Mosteiro de São Bento, cerimônia que vão interpretar como a celebração solene da proclamação de São Sebastião como patrono dos homossexuais.
Essa tentativa de aproximação do GGB da Igreja não é provocação, garante Mott. A intenção seria chamar a atenção das autoridades religiosas para o fato de que há muitos homossexuais católicos que continuam fiéis à Igreja e desejam ser acolhidos por ela. A entidade vai pedir ao arcebispo de Salvador, dom Geraldo Majella, que a Cúria crie uma pastoral gay, como existe em Campinas(SP), para que esse segmento social seja assistido pela Igreja.
Os gays baianos agora estão procurando uma patrona. A mais forte candidata é Mária Quitéria, heroína da Independência da Bahia, integrante do exército popular que expulsou as últimas tropas portuguesas aquarteladas na Bahia, após a Independência do Brasil. A presidente do Grupo Lésbico da Bahia, Jane Pantel, revelou estar pesquisando a vida de Mária Quitéria e já tem certeza que ela foi um travesti. "Era apelidada de soldado Medeiros", disse. "Mas ainda não temos evidência é se ela praticou o lesbianismo."

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