Porto Alegre, 22 (AE) - Milhares de pessoas são esperadas nesta sexta-feira (23) na quarta edição da Marcha dos Sem, em Porto Alegre, que protestará contra as políticas sociais do governo Fernando Henrique Cardoso. Estudantes, sindicalistas, professores, pequenos agricultores, sem-terra, funcionários públicos, sem-teto, desempregados, religiosos, representantes de associações de bairro, entre outros grupos da sociedade civil farão uma caminhada de protesto, que culminará em um ato público diante do Palácio Piratini, no centro da capital gaúcha.
"Estamos esperando mais de 15 mil manifestantes", disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul, Francisco Vicente, que participa da organização do protesto. "Já recebemos a confirmação de que 200 ônibus foram fretados para se deslocarem até Porto Alegre.
Estarão representadas na caminhada a União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento de Luta pela Moradia, Centro dos Professores/RS (Cpers-Sindicato), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Pastorais Sociais da Igreja Católica, Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), partidos de oposição ao governo FHC, sindicatos, associações de bairro e outras entidades.
Também participam entidades de defesa de minorias. "Até drag queens desfilarão", anunciou o presidente da CUT/RS. "A marcha não discrimina ninguém, é ampla e popular e tem o objetivo de unir todos os setores da sociedade que rejeitam o neoliberalismo de FHC", argumentou.
Orçamento - Desta vez, disse Vicente, a manifestação não se resumirá a registrar seu protesto sob a forma de palavras de ordem, cartazes e faixas. "Ela terá também um lado de apoio forte."O apoio será para um processo adotado há dez anos em Porto Alegre e que o governo estadual começa a aplicar no Rio Grande do Sul: o Orçamento Participativo (OP). "A Justiça ameaça um processo que permite que a população se organize livremente", acusou.
A concentração será ao lado do Planetário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no bairro Santana, a partir das 11h. "Escolhemos o local como homenagem à universidade federal, que é vítima de sucateamento", observou Vicente. Às 13h, os manifestantes seguirão pelas avenidas Ipiranga, Érico Veríssimo e Borges de Medeiros, entrarão na rua Jerônimo Coelho, seguindo para a Praça da Matriz e o Palácio Piratini. Ali, depois do ato público, às 15h, entregarão uma pauta de reivindicações ao governador Olívio Dutra (PT). A Marcha dos Sem é também preparatória para o protesto nacional das oposições, marcado para 26 de agosto, em Brasília.

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