‘‘Tampinha’’ não é um adjetivo capaz de inspirar orgulho em muita gente. Para o paleontólogo gaúcho Jorge Ferigolo, é uma honra. Ele guarda em seu laboratório, em Porto Alegre, restos de um baixinho que vai dar o que falar: um dinossauro de um metro e 228 milhões de anos.
O animal, que ainda não tem nome, é um dos seis dinossauros mais velhos do mundo. Ele foi encontrado em fevereiro no município de Agudo, a 250 km da capital gaúcha. E pode ajudar a comprovar a teoria de que os dinos surgiram na América do Sul.
Os fósseis foram achados pelo grupo de Ferigolo, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, ao examinar afloramento de rochas do Período Triássico (o primeiro da era dos dinos, de 245 milhões a 208 milhões de anos atrás). A espécie humana surgiu há não mais de 250 mil anos.
‘‘Começamos a escavar o local e achamos uma série de outros ossos, como vértebras, fêmures, dentes e pedaços de mandíbulas’’, lembra Ferigolo. No total, os cientistas encontraram restos de cerca de 20 indivíduos. A maioria ainda está encravada em blocos de rocha e os pesquisadores devem levar meses para prepará-los.
O dino de Agudo era provavelmente herbívoro, mas complementava a dieta com insetos. Os ossos da pata, longos e ocos, sugerem uma estrutura corporal leve, adaptada à corrida. ‘‘É possível que ele corresse para fugir de predadores’’, diz Ferigolo.
Alguns dos ossos descobertos em Agudo tinham marcas de dentes de animais carnívoros. ‘‘Achamos até um dente de carnívoro entre os ossos’’, afirma.

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