Jornal N.H./Agência Estado
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Sem medoCom o caixão amarelo ao lado, Schneider aguarda o desfecho da ‘‘previsão’’Com sua morte ‘‘prevista’’ por quatro cartomantes, o comerciante gaúcho Adriano Augusto Schneider, de 32 anos, de Novo Hamburgo, vendeu a maioria dos seus bens, fez um seguro de vida em nome de uma irmã, comprou um caixão e está aguardando o último suspiro. Jovem e com boa saúde, Schneider ‘‘morrerᒒ, segundo os vaticínios, em acidente automobilístico antes da meia-noite de hoje. ‘‘Não devo para ninguém, não quero morrer, mas não tenho medo de nada, nem da morte’’, resume.
Schneider mandou fazer o caixão na cor preferida - amarelo - pagando R$ 2,4 mil. Colocou-o na sala do seu apartamento, e ali espera a morte assistindo TV ao lado do caixão. Separado, pai de três meninas - com idades entre seis meses e 2 anos - ele vive sozinho. Desde janeiro, data da primeira ‘‘advertência’’ sobre sua morte, vendeu seu apartamento no térreo e alugou outro no 1º andar. Também negociou seu telefone e alguns móveis. Poucos na sua família sabiam da sua decisão até um jornal local divulgá-la.
Apesar da ‘‘previsão’’ lúgubre, o comerciante de carros usados não perdeu a audácia: disse que vai hoje a Tramandaí (a 130 km), de carro, para o réveillon. Católico, Schneider promete que não mais acreditará em cartomantes se continuar vivo.

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