Gatos espalham doença rara no Rio
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quarta-feira, 02 de novembro de 2005
Robson Pereira<br>Agência Estado 
Rio- A esporotricose felina, uma doença rara e que se acreditava extinta, está preocupando especialistas no Rio. De acordo com o Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz, nos últimos cinco anos foram registrados 800 casos em humanos e até o fim deste ano serão 200 novos pacientes. Em toda a década de 1990, foram apenas 13 casos.
A doença é caracterizada por lesões cutâneas provocadas pelo fungo Sporothrix schenckii, cuja presença no solo pode ser considerada normal. Até recentemente, trabalhadores agrícolas e jardineiros em contato com o fungo desenvolviam uma espécie de micose que se alastrava pelas mãos, braços e pernas e desapareciam três dias depois sem maiores sequelas. De alguns anos para cá, as lesões ficaram maiores, purulentas, provocando dores nas articulações, cicatrizes e a necessidade de medicamentos.
''Na literatura científica mundial não existe nada semelhante ao que está acontecendo no Rio'', afirma a pesquisadora e infectologista Mônica Lima Barros, do Serviço de Zoonoses da Fiocruz. ''É uma epidemia, possivelmente causada por algum desequilíbrio ambiental.''
O que mais intriga os pesquisadores é o fato de gatos terem se transformado em hospedeiros do fungo, disseminando a doença para outros animais e para o homem. Dos pacientes com esporotricose atendidos pelo Ipec, 85% contraíram a doença por mordidas, arranhões ou outros contatos com gatos doentes. ''Não sabemos como os gatos entraram na história'', admite Mônica Barros. ''Alguma coisa aconteceu e interferiu no equilíbrio, fazendo com que o número de pessoas com a doença passasse de um para 200 por ano.''
Segundo a infectologista, o centro da epidemia está na Baixada Fluminense, nos municípios de Duque de Caxias e São João de Meriti. Mas já há registros da doença em outras cidades e bairros do Rio, como a Barra da Tijuca, e mesmo em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Não há registro de casos fatais em pessoas. As únicas sequelas parecem ser dores fortes, cicatrizes e a perda de produtividade. O custo do tratamento é alto e a rede pública de saúde não oferece remédios contra a doença. Nos gatos, a doença é mais grave e pode provocar a morte do animal.
Donas de casas e veterinários lideram a incidência de casos de esporotricose. Já os animais doentes são, em sua maioria, machos em idade reprodutiva. No entanto, entre os 1. 500 gatos contaminados identificados pela pesquisadora, não havia um único animal de apartamento, já que o importante no contágio é o contato com a terra.


