Londrina - A morte das cinco crianças de Guarapuava poderia ter sido evitada se a casa da família contasse com fornecimento de energia elétrica. A realidade das favelas, no entanto, mostra que as ligações clandestinas (''gatos'') e o uso de lampiões e velas ainda é rotina em bairros pobres.
Essa é a situação de todos os barracos do assentamento Nossa Senhora Aparecida (zona norte de Londrina). Lá, energia elétria em casa só de forma clandestina. O risco de acidentes é grande, uma vez que há muitos ''gatos'' a a menos de dois metros de altura e os curtos-circuitos são comuns.
''Dá muito curto aqui, quando há sobrecarga ou quando venta muito'', conta a artesã Eliana Gonçalves dos Santos. Ela tem cinco filhos, o mais velho tem 13 anos e o mais jovem, 4. A família se espreme em um barraco com menos de trinta metros quadrados. ''A sobrecarga acontece já que a corrente do 'gato' não passa pelo dijuntor'', explica o capitão Rodrigo Nakamura, do Corpo de Bombeiros.
''Quando acontece isso, tem que correr para desligar o relógio porque se não queima tudo, barraco por barraco. Outro dia uma mulher tava usando vela em casa, esqueceu acesa e perdeu tudo. Sorte que não tinha ninguém em casa'', revela o catador Vanderlei Correia Gaspar.
Nakamura adverte que em hipótese alguma deve-se deixar uma vela acesa se tiver apenas crianças na casa. ''A possibilidade de causar um incêndio é grande. A vela tem que estar bem fixada, senão pode tombar com o vento e iniciar uma tragédia. Até porque, na periferia, as casas são de madeira e de papelão, o que propaga muito fácil o fogo.''(D.M.)

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