Gato-do-mato negro é alimentado artificialmente em zoológico de SP
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de maio de 1999
Por Luiz Roberto de Souza Queiroz 
São Paulo, 24 (AE) - Um minúsculo gato-do-mato inteiramente negro, embora a cor característica da espécie seja o ouro-velho com rosetas escuras, parecidas com as da onça-pintada, está sendo alimentado artificialmente no Zoológico de São Paulo. O gato-melânico, termo técnico para designar o fenômeno dos felinos negros, nasceu escuro por causa de um gene recessivo, afirma o veterinário André Luiz Paranhos Perondini, que dirige a instituição.
Ele diz que o fenômeno é o mesmo que ocorre com as panteras, entre as quais, às vezes, nasce um animal negro, filho de pais pintados - embora muitas pessoas, equivocadamente, considerem a pantera-negra como uma espécie diferente.
O gato nascido há pouco é tão pequeno que sua mamadeira é uma seringa de injeção para uso veterinário, de 60 milímetros, na ponta da qual foi adaptado um bico especial de fabricação norte-americana, do tamanho da teta dos felinos. O leite para o animal também é importado dos Estados Unidos, pois foi necessário separar o gatinho da mãe, que no passado canibalizou um filhote.
A responsável pelo Setor de Mamíferos, bióloga Kátia Cassaro, conta que a reprodução do gato-do-mato faz parte de um programa desenvolvido em conjunto com uma organização não-governamental dos Estados Unidos. O objetivo é multiplicar os felinos ameaçados, para os quais foram construídos viveiros numa área tranquila, à qual o público não tem acesso. Ainda segundo Kátia, o nome científico do gato-do-mato é Leopardus tigrinus e a espécie foi muito perseguida por causa de sua pele. Pesando pouco mais de 2 quilos quando adulto, ele tem 50 centímetros de comprimento e 26 centímetros de cauda.


