Tanto o profissional que cursa Gastronomia quanto o que faz Nutrição tem um amplo leque de atuação e uma formação bastante distinta. Uma das diferenças básicas - ressalta Ingrid Schmidc-Hebbel, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Anhembi/Morumbi -, é que o público alvo do gastrônomo são as pessoas sadias. O nutricionista trabalha também com dietas para pessoas com problemas de saúde e necessidades especiais de alimentação.
O primeiro curso superior de Gastronomia do Brasil foi criado pela Universidade Anhembi/Morumbi, de São Paulo, em 99. Este ano também foi implantado pelo Senac, com uma unidade em Águas de São Pedro e outra em Campos do Jordão. O curso forma profissionais aptos a atuar em cozinha, padaria, confeitaria, gerência de alimentos, bebidas, gerência de salão, crítica gastronômica, enologia e estilismo de comida.
Nas duas instituições, o curso superior de Gastronomia é de formação específica, conforme definido pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Os cursos superiores de formação específica têm carga horária igual ou superior a 1.600 horas, ou seja, são concluídos em dois anos, com disciplinas teóricas e práticas.
Carolina Crema, professora e assistente pedagógica do curso no Anhembi/Morumbi, diz que o setor de alimentos passou por grande profissionalização, o que tem gerado uma procura crescente pelos cursos da área.
Embora a mensalidade do curso de Gastronomia (tanto no Anhembi/Morumbi quanto no Sesc) seja salgada - em torno de R$ 850,00, Carolina diz que a cada semestre cresce o número de pessoas inscritas no processo seletivo da universidade. No último vestibular, cada vaga foi disputada por nove candidatos. Segundo ela, o valor da mensalidade se justifica pelo preço dos ingredientes usados no aprendizado dos pratos e pelos equipamentos usados nas aulas. O piso salarial da categoria é baixo, se comparado com a mensalidade paga. Segundo Carolina, o valor é de R$ 405,00. ''Esse valor, no entanto, é muito relativo. Há profissionais que ganham bem mais, dependendo do local que vai trabalhar e dos cursos extra-curriculares que fez enquanto cursava a faculdade.'' Sem contar, que muitos deles trabalham por conta própria, preparando jantares, festas etc.
O gastrônomo pode trabalhar com composição de cardápio, desenvolvimento de receita, padronização de produção, gerenciamento de alimentos e bebidas, administração de restaurantes, crítica gastronômica etc.
Mais comuns que os cursos de gastronomia, os de Nutrição proliferam pelo País. Só em Curitiba, são sete. O interior do Paraná também é bem servido. Em Londrina, duas instituições de ensino superior oferecem o curso, ambas particulares, com mensalidade em torno de R$ 450,00. A formação é de quatro anos.
''A procura pelo curso de Nutrição é grande e o campo de atuação também é bastante amplo'', diz a coordenadora do curso da Unifil, Gersislei Antonio Salado. Entre as áreas de atuação, ela cita marketing (representação, divulgação e desenvolvimento de novos produtos), administração dos serviços de alimentação, clínica, sa© úde pública, merenda escolar. Gersislei destaca que o nutricionista pode ainda enveredar pela gastronomia. Já o gastrônomo não pode atuar como nutricionista. O piso salarial do profissional, informa a professora, é de 10 salários mínimos.
A Universidade Norte do Paraná (Unopar) forma sua primeira turma de nutricionista no próximo ano. A coordenadora do curso, Cristina Simões Tomasetti, diz em, apesar de novo, o curso tem grande procura. ''Há um interesse crescente em função da população ter mais conhecimento sobre os benefícios da alimentação'', diz ela.
A Unopar tem também o curso de pós-graduação em gerência de unidades de alimentação e nutrição, no qual o aluno se aprofunda em matérias nas áreas de hotelaria, gastronomia, catering (alimentos para aeronaves), administração de fast food, marketing em nutrição, entre outros. (B.B.)

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