Brasília, 17 (AE) - A melhora no desempenho das contas externas não tem sido acompanhada pela conta de juros pagos pelo Brasil ao exterior. Os gastos com juros nos primeiros cinco meses do ano chegaram a US$ 5,85 bilhões superando em US$ 2 bilhões as despesas do mesmo período do ano passado que ficaram em US$ 3,84 bilhões. Somente no último mês de maio, as despesas líquidas com o pagamento de juros chegaram a US$ 1,1 bilhão, o que significa US$ 380 milhões em relação aos US$ 729 milhões gastos pelo País em maio do ano passado.
Segundo explicações do chefe-adjunto do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, o aumento das despesas com juros tem dois motivos principais: além da elevação das taxas que o mercado internacional tem cobrado do Brasil depois da crise da Rússia, quando a credibilidade do País foi afetada, houve um aumento no total da dívida externa.
Isso porque, no período que antecedeu a crise, o setor privado brasileiro fez várias operações de captação no exterior e, desde então, tem pago juros pelos créditos obtidos. De acordo com os dados do BC, quem optou pela renovação, ou seja, a rolagem, ao invés de pagar a dívida, está pagando taxas mais altas que aquelas cobradas nos contratos originais.
Em maio do ano passado, por exemplo, as taxas cobradas pelos credores internacionais do setor privado brasileiro ficaram, em média, 3,87% acima das taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. No mês passado, esta diferença era de 7,69%. "As taxas no exterior ainda estão muito altas", afirmou Caldas.
No mês de abril último, segundo os números do BC, a dívida externa total chegou a US$ 231,6 bilhões. O aspecto positivo destacado pelo governo é que enquanto houve aumento da dívida de médio e longo prazos que sofreu uma diferença de US$ 12,1 bilhões no mês, a dívida de curto prazo foi reduzida em US$ 1 bilhão.
Este ano, enquanto o setor público fez somente uma captação no exterior, com o bônus global lançado em abril, o setor privado fez 200 operações com os credores internacionais. A maior parte, ou seja, um total de 150 destas operações, foi realizada pelo setor privado não financeiro. As instituições financeiras foram responsáveis pelas outras 50 operações.

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