Brasília, 12 (AE) - O Brasil gastou R$ 44,923 bilhões em juros da dívida em 1997 e esse custo subiu ainda mais em 98. De janeiro a novembro do ano passado, esse total já estava em R$ 65 740 bilhões, segundo os últimos dados do Banco Central. E a perspectiva é de uma despesa ainda maior em 99 por causa do impacto da desvalorização do real na dívida pública líquida.
A renegociação das dívidas dos governos estaduais para com a União também impactou o comportamento da dívida líquida do setor público. Esse refinanciamento contribuiu para que a parcela do governo federal e do BC no endividamento global, que era de 15,9% do PIB em dezembro de 1996, passasse para 25% do PIB (R$ 225,829 bilhões) em novembro do ano passado.
O grau de endividamento dos Estados, ao contrário, cresceu menos - passou de 11,2% do PIB em dezembro de 1997 para 12,2% do PIB (R$ 110,117 bilhões) em novembro passado, de acordo com os dados disponíveis no BC.
O reflexo do refinanciamento da dívida dos Estados - com a troca dos papéis estaduais por títulos federais - é claro: os governos estaduais fecharam o ano passado com R$ 23,020 bilhões de dívida em títulos, R$ 18 bilhões a menos que os R$ 41,036 bilhões do final de 1997.
Situação semelhante foi verificada no total da dívida dos municípios, que subiu de 1,7% do PIB em dezembro de 1997 para 1,9% do PIB (R$ 17,558 bilhões) em novembro passado. Por causa da privatização, as empresas estatais dos três níveis de governo conseguiram reduzir seu endividamento, apesar da alta dos juros - a queda foi de 2,8% do PIB para 2,7% do PIB (R$ 24 767 bilhões), de dezembro de 1997 para novembro de 1998.

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