Gastos com cartões no exterior caem 40% no 1º trimestre
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Rodney Vergili (enviado especial) 
Washington, 11 (AE) - Os gastos com cartões de crédito internacionais caíram 40% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior, por causa da liberalização cambial adotada pelo governo brasileiro. A afirmação foi feita pelo presidente da MasterCard Brasil, Desmond Rowan, durante a Reunião Anual da MasterCard, que reúne 700 dirigentes financeiros de 30 países.
As vendas locais de cartão de crédito aumentaram, no entanto, 18% em relação ao mesmo período do ano anterior e houve uma queda no valor das compras médias de R$ 53 para R$ 51.
Rowan observa que as perspectivas são bastante satisfatórias para o futuro do Brasil, embora as projeções sejam conservadoras devido à situação difícil do início do ano. O atraso médio de pagamentos está em intervalo entre 11% e 12% da carteira, com expectativa de melhoria com adoção de critérios sofisticados de classificação de risco de crédito. Os juros nos cartões estão entre 9% e 11% ao mês.
A indústria de cartões de crédito está apresentando elevada inadimplência nos países da América Latina por conta das incertezas futuras e queda no Produto Interno Bruto. O presidente da MasterCard para a América Latina e Caribe, Jean Rozwadowski, afirma que essa situação obriga os bancos emissores dos cartões de crédito a serem mais conservadores.
Segundo ele, a empresa opera com melhor rentabilidade em países com estabilidade econômica e baixas taxas de juros. No Brasil, por exemplo, a inadimplência varia de acordo com a instituição financeira entre 12,5% e 30%.
Rowan diz que está havendo uma melhoria substancial no crédito com aplicações de sofisticadas tecnologias de análise. Já no México, a inadimplência é da ordem de 20% e na Argentina, 30%.
Os países de menores índices da América Latina são a Venezuela com 8% e o Chile com 1% para o prazo de 60 dias. Apesar da queda recente nos juros, o Brasil continua liderando com as mais elevadas taxas da região da América Latina.
Os juros nos cartões de crédito na Argentina estão entre 24% e 45% ao ano. Na Venezuela, em 52% ao ano. No México, entre 28% e 34% ao ano. No Chile, as taxas estão em média a 2,7% ao mês.
Rozwadowski espera um crescimento entre 10% e 20% nos negócios na região em 1999. O volume bruto de vendas na América Latina foram de US$ 25,7 bilhões em 1998 com crescimento de 13 79% em relação ao mesmo período do ano anterior. O total de cartões de crédito emitidos na região atingiram 21,3 milhões em 1998.


