Em uma década, o governo federal aumentou em quatro vezes os investimentos com transferência de renda por meio do programa Bolsa Família. Os gastos passaram de R$ 6,8 bilhões em 2005 para R$ 27 bilhões em 2015. Os dados do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) mostram que, no mesmo período, a destinação de verbas do programa para as famílias paranaenses aumentou 127%, passando de R$ 301 milhões para R$ 684 milhões. Apesar do aumento, o Estado caiu da 8ª para a 15ª posição no ranking dos que mais recebem verba do programa.
A Bahia lidera o ranking com R$ 3,6 bilhões recebidos em 2015. Em dezembro do ano passado, o MDS calculava 1,8 milhão de famílias baianas dependentes do benefício. Em seguida aparece São Paulo, com R$ 2,5 bilhões recebidos. O Estado mais rico da federação tinha 1,3 milhão de famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza que recebiam o valor médio de R$ 151 por dependente. Na terceira posição aparece o Maranhão, um dos mais pobres, com R$ 2,2 bilhões recebidos e quase 1 milhão de famílias atendidas.
No Paraná, aproximadamente 430 mil famílias recebiam o benefício no fim do ano passado. Desde o início do programa, em 2004, o aumento do número de famílias paranaenses atendidas pelo Bolsa Família foi de 37%. O Estado tem uma das menores taxas de dependência do País, de 13%. Em Londrina, maior cidade do interior do Estado, atualmente 16 mil famílias estão inscritas no programa. O aumento dos gastos no município em dez anos foi de 203%, passando de R$ 8,9 milhões para R$ 27 milhões, alta bem acima da média estadual.
De acordo com a secretária de Assistência Social de Londrina, Télcia Lamônica Oliveira, os últimos dois semestres tiveram uma inserção de famílias acima da média, porém por questões econômicas, há um limite de famílias que o programa pode atender. Segundo ela, Londrina tem hoje mais 5 mil famílias que poderiam ser incluídas no Bolsa Família, mas que ficam de fora por conta da restrição. "Vivemos um momento de preocupação muito grande. Por enquanto, nossa limitação é não poder incluir mais beneficiários. Esperamos não chegar ao ponto de ter que retirar famílias assistidas", manifestou-se Télcia, que defendeu o programa. "É uma ferramenta de complemento de renda. Dados nacionais apontam que 60% das famílias beneficiárias têm membros empregados, o que desmente uma possível acomodação, como pregam alguns."
Camila Cristina Machado, de 26 anos, é moradora na Jardim Marieta, na zona norte de Londrina. Mora com o marido Davi Simão, de 24 anos, e a filha Pietra, de 4. Os R$ 160 que recebe ajuda a completar a renda da família, que sobrevive com os bicos que Simão faz. "Esse dinheirinho ajuda a comprar um iogurte para a menina de vez em quando. Para quem ganha pouco, faz toda a diferença", comentou Camila.
A dona de casa Rafaela Fagundes da Silva, de 19 anos, moradora no mesmo bairro, contou que usa o dinheiro para comprar fraldas para a filha, Tainá, de 6 meses. "Se não fosse o Bolsa Família, teria que tirar esse dinheiro de outro lugar, até do que comer. Pode ser que existam pessoas que não precisam e que recebem, mas o que deve ser feito é fiscalizar melhor, mas nunca acabar com o programa. Vai prejudicar muito quem precisa", opinou, citando especulações em torno de mudanças no programa.
Télcia citou que não são raros os casos de famílias que deixam o programa por conseguirem sair da situação de pobreza, cuja faixa de renda per capita foi atualizada de R$ 77 para R$ 82 no dia 1º de maio. No mesmo dia, foi anunciado reajuste de 9% no Bolsa Família, o que deve elevar o benefício médio a R$ 176 mensais. "No caso de Londrina, além do benefício, temos todo um acompanhamento que visa dar autonomia às famílias para que possam caminhar por conta própria", comentou.
A dona de casa Andrea Luiz de Souza, de 32 anos, contou que não vê a hora de não depender mais do Bolsa Família. "Hoje, esse dinheiro é tudo pra mim, mas estou lutando para não precisar mais", declarou. Com dois dos quatro filhos inscritos no Bolsa Família, ela recebe R$ 230 por mês.

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