Gasto com RMC é o dobro da média estadual
Números da execução orçamentária do Governo do Paraná na área de desenvolvimento urbano comprovam que Curitiba e municípios vizinhos são amplamente privilegiados na divisão dos gastos do Executivo.
Entre 2007 e 2010, a administração estadual aplicou na Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) aproximadamente R$ 145,8 milhões, entre gastos rotineiros e investimentos. Enquanto isso, a diretoria geral da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano (Sedu) teve uma despesa de cerca de R$ 222,6 milhões.
A Comec e as coordenadorias das RMs de Londrina e Maringá (Comem) estão vinculadas à Sedu, mas apenas a de Curitiba é autarquia constituída e diferenciada como unidade orçamentária nas despesas do Estado.
Considerando que apenas 30% da população paranaense reside na RMC, a concentração de despesas fica nítida. Nos últimos quatro anos, a administração estadual gastou R$ 45,93 por cada habitante da Região Metropolitana de Curitiba na área de desenvolvimento urbano, via Comec. Quantia que representa mais do que o dobro do aplicado a cada morador paranaense pela Sedu, que, vale lembrar, atende todo o Paraná, incluindo a RMC: R$ 21,32 por habitante.
O orçamento do Governo do Estado para este ano demonstra que a concentração de gastos continua. Na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2011, foram previstas despesas de R$ 30,7 milhões pela diretoria geral da Sedu, e de R$ 122,8 milhões exclusivamente pela Comec.
De acordo com a página de transparência do site do Governo do Paraná, a Comec tem atualmente 32 funcionários, e a Sedu, 64. Isso representa que a autarquia do governo exclusiva para a RMC emprega um servidor para cada 99 mil habitantes da área atendida, enquanto a secretaria tem uma proporção de um funcionário para cada 163 mil paranaenses, uma defasagem de 61%.
Victor Hugo Boselli Dantas, coordenador da Comel, argumenta que a criação de um orçamento próprio para a coordenadoria de Londrina não é prioridade. ''A duplicação da PR-445 é um grande investimento, deve ficar em torno de R$ 130 milhões. É uma obra da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística. Em breve, vai sair um grande investimento em casas populares para a região. Quem vai fazer é a Cohapar, não a Comel. A Comel tem que gerenciar os projetos'', justifica.
''Se formos carimbar orçamento, licitação, os custos vão aumentar. Nós somos coadjuvantes dos processos. Tem gente que reclama que a Comel não tem orçamento. Para ser sincero, eu até prefiro que não tenha'', afirma Dantas. Apesar disso, o coordenador diz que há a intenção de, no futuro, transformar a Comel em uma autarquia, nos moldes da Comec. ''Isso permitiria a implantação de um corpo técnico para questões práticas, do dia-a-dia'', explica. (F.G.)





