Brasília, 20 (AE) - O setor público brasileiro pagou R$ 95,075 bilhões de juros nominais até julho deste ano, de acordo com dados do Banco Central divulgados há pouco. Esse valor leva em conta os efeitos da desvalorização cambial. O pagamento de juros do setor público nos sete primeiros meses do ano equivalia a 17,44% do PIB, segundo dados do Banco Central.
O déficit nominal do setor público no período de janeiro a julho deste ano foi de 13,81% do PIB, a preços valorizados, levando-se em conta o efeito da desvalorização cambial ocorrida em janeiro. O resultado nominal incorpora ao resultado primário os encargos financeiros. No período de janeiro e a junho, o déficit nominal do setor público a preços valorizados era de 15 5% do PIB. Em valores absolutos, a preços correntes, o déficit nominal do setor público nos sete primeiros meses do ano foi de R$ 74,653 bilhões, enquanto que, no período de janeiro a junho, esse déficit era de R$ 70,993 bilhões. Sem levar em conta o efeito da desvalorização cambial, o déficit nominal de janeiro a julho equivalia a 6,11% do PIB, a preços valorizados. Em valores absolutos, a preços correntes, o déficit de janeiro a julho sem desvalorização cambial era de R$ 34,331 bilhões.
De acordo com o Banco Central, o superávit primário do setor público no período de janeiro a julho - R$ 20,4 bilhões - supera em R$ 4,8 bilhões o valor estimado para o mesmo período na trajetória firmada no acordo com o FMI.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, informou que houve uma revisão dos números relativos ao desempenho fiscal primário das estatais em todo o primeiro semestre do ano. A diferença, para melhor, segundo Altamir, chegou a R$ 1,8 bi. O chefe do Depec também lembrou que o bom resultado primário de julho do setor público, com superávit de R$ 4,950 bi, foi em grande parte resultado do ingresso de recursos da ordem de R$ 1,04 bi da venda da Telebrás. Segundo Altamir, o critério de apropriação do pagamento de juros do plano Brady também contribuiu para o bom desempenho de julho. Pelo critério de competência, usado pelo BC
parte destas despesas só afetará os números de outubro.

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