Corumbá, MS, 08 (AE) - O vice-presidente da Gaspetro, Antônio Luiz de Menezes, afirmou hoje que a empresa já trabalhava com dificuldades de venda do gás natural durante os dois primeiros anos de funcionamento do gasoduto Brasil-Bolívia. Segundo Menezes, a Gaspetro já tem garantida a venda de 2,5 milhões de metros cúbicos de gás neste primeiro ano e a idéia é mostrar ao consumidor as vantagens deste combustível para viabilizar sua venda.
"Este é um projeto de longo prazo e será possível recuperar o investimento de US$ 2 bilhões de dólares em 10 ou 12 anos", afirmou o vice-presidente da Gaspetro. A empresa tem por objetivo substituir, em 2005, a importação de 100 mil barris de petróleo pela compra de 30 milhões de metros cúbicos de gás natural dia, alterando a matriz energética do País. Além de termoelétricas, este gás pode ser consumido por empresas de cimento, de fabricação de cerâmica, vidro, entre outras.
Para Menezes, o preço da energia gerada pelas hidrelétricas é mais baixo em razão de subsídios, mas que com a privatização dos setor elétrico os preços serão liberados. "O governo está estudando esta questão do preço e por isso o início das termoelétricas a gás está atrasado", disse, ressaltando, entretanto, que uma empresa deste tipo pode ser construída em 14 meses.
O vice-presidente da Gaspetro entende que a dolarização do gás natural deve ser encarado como um problema conjuntural, que afeta outros produtos, como o petróleo. "É um risco que temos de enfrentar junto com as companhias consumidoras e encontrar preço viável ou a cadeia estará prejudicada", argumentou. Ele reconheceu as dificuldades de vender o gás com a desvalorização do real, mas enfatizou a importância do gasoduto para evitar a falta de energia no País.
Dificuldades - "Há sete meses havia o risco da falta de energia", comentou. "A fase econômica é complicada, mas nós fizemos a nossa parte para evitar falta de energia." Segundo Menezes, a empresa já trabalhava com dificuldades de convencer os empresários das vantagens das termoelétricas a gás em relação às hidrelétricas. "É preciso mostrar ao empresário que a energia gerada pelo gás natural funcionará como seguro, já que o preço não fica sujeito a períodos de chuvas abundantes ou de estiagem", explicou.
Menezes ponderou ainda que o gás natural não é combustível comum, e seu preço não pode ser comparado isoladamente com outros combustíveis, como o diesel ou a lenha. Além das vantagens ecológicas, ele salientou que alguns custos adicionais destes outros combustíveis (como a estocagem, por exemplo) não existem no caso do gás natural. "Por que tem de ser mais barato se é melhor?", indagou. "É preciso mostrar porque ele é melhor."

mockup