São Paulo, 04 (AE) - O preço da gasolina, computado o reajuste de 9% anunciado hoje, já subiu 47% neste ano, de acordo com o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo. Até julho, a inflação na cidade de São Paulo chegou a 3,62%. "E a população continua com sua renda estável ou caindo", disse o economista, prevendo que, num primeiro momento, os postos repassarão ao consumidor o reajuste integral.
De acordo com Heron, a alta de 9% na gasolina trará um impacto de 0,28% no IPC. Embora já esteja em vigor neste sábado, dia 7, o aumento só deverá ser plenamente repassado na semana que vem, o que fará com que apenas parte do reajuste seja computado no IPC de agosto. Segundo Heron, a alta trará um impacto de 0,18% neste mês e o restante, aproximadamente 0,10%, em setembro.
O governo anunciou um reajuste de também 9% para o GLP (o gás de cozinha) nas refinarias, estimando que o consumidor final arcará com um reajuste de 3,5% nas regiões, como a cidade de São Paulo onde é tabelado. Heron acredita num repasse maior, embora o GLP tenha um efeito quase marginal na composição do IPC. Se a alta for de 4%, o impacto final, na inflação, seria de 0,003%.
Segundo Heron, o reajuste de 7,5% para o diesel nas refinarias, com repasse estimado de 5,6% para o consumidor final
não será repassado para os produtos e, portanto, não pesará na inflação. "Isso porque o consumidor está mais pobre do que nunca e não tem como absorver aumentos de preços", afirmou Heron. "Para encher um tanque de 50l, o consumidor gastará R$ 5 a mais do que antes desse aumento de hoje", acrescentou.

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