Gasoduto Brasil-Bolívia entra em operação comercial em duas semanas
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 15 (AE) - O gasoduto Bolívia-Brasil entrará em operação comercial dentro duas semanas, quase três meses depois de ter sido inaugurado formalmente pelos presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e da Bolívia, Hugo Banzer. O anúncio foi feito ao ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, pelo presidente da El Paso Energy International, John Hushon, que integra, ao lado da Petrobrás, o consórcio TBG (Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia/ Brasil), proprietário e operador do duto.
O início de operação da gasoduto concidirá com medidas a serem tomadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pelos ministérios de Minas e Energia e da Fazenda para tornar viável a utilização do gás natural nas indústrias brasileiras. Com a desvalorização cambial, o custo do gás importado ficou proibitivo para as empresas e várias usinas termelétricas estão paradas.
Para evitar um aumento maior no preço do gás, o governo não autorizou o reajuste do óleo combustível na última quarta feira. "Nesta fase não vai ter aumento do óleo", disse o diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn. O preço do gás no Brasil está atrelado ao valor do óleo combustível.O gás natural produzido na Bacia de Campos deve ser 25% mais barato que óleo combustível vendido pela Petrobrás e o preço do gás comercializado pelo gasoduto Brasil-Bolívia deve ser 85% do preço do óleo combustível.
"Queremos dar uma solução estrutural para o óleo e isto pode acontecer em um prazo de 10 a 15 dias", afirmou Zylbersztajn. O governo também estuda um preço intermediário entre o valor do gás importado e o produzido no País. Na semana que vem deverá haver uma reunião entre o diretor-geral da ANP, o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho e o governador de São Paulo, Mário Covas, para viabilizar as termelétricas de São Paulo.
Na audiência com o ministro, a El Paso anunciou investimentos de US$ 1,5 bilhão em seis projetos no País nos próximos dois anos. A empresa vai participar, por exemplo, da instalação de uma usina termelétrica em Macaé, no Rio de Janeiro. Também em reunião hoje com o ministro, o diretor-executivo da Pan American Energy, Richard Spies, anunciou que a empresa norte-americana quer construir um novo gasoduto interligando o sul da Bolívia ao Estado do Paraná.
O atual gasoduto Bolívia-Brasil, segundo Spies, não será suficiente para transportar toda a produção do norte da Argentina e sul da Bolívia. O gasoduto Trans-Iguaçu, deverá abastecer as Regiões Sul e Sudeste do País e tem seis distribuidoras de energia envolvidas no projeto. "Precisamos de energia termelétrica", disse o ministro Tourinho.


