Gases tóxicos contaminam área residencial
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Sílvia Correa e Lívia Marra<BR>Agência Folha 
Uma área residencial em Mauá (na Grande São Paulo) com 158 mil metros quadrados e 50 prédios, onde moram atualmente cerca de 5 mil pessoas, está contaminada por gases tóxicos e cancerígenos. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente considera a contaminação ''grave''.
Estudos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) identificaram mais de 40 compostos orgânicos voláteis na área, que equivale a 22 campos de futebol. Segundo o estudo, trata-se de uma contaminação causada por resíduos industriais.
A companhia constatou a presença de benzeno (cancerígeno), clorobenzeno, trimetilbenzeno e decano. Essas três últimas últimas substâncias são prejudiciais à saúde caso venham para a superfície em grandes concentrações e sejam inaladas.
Todos os moradores estão sendo notificados e passarão por exames laboratoriais para verificar o grau de contaminação. A Cetesb informou que a construtora ficará responsável pelos exames, que deverão ser realizados em 30 dias a partir da notificação.
Ainda não há informações sobre a necessidade de retirada dos moradores do local. O conjunto residencial, localizado no Parque São Vicente, vinha sendo investigado desde abril do ano passado. Na ocasião, houve uma ''misteriosa'' explosão na antecâmara de uma das caixas d'água subterrâneas. Essa explosão provocou a morte de uma pessoa.
Alguns dos gases presentes no local também são inflamáveis, mas de acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente o risco de explosão no condomínio está descartado.
Segundo a Cetesb, o empreendimento foi construído em um terreno da Companhia Fabricadora de Peças (Cofap), que vendeu a área para a incorporadora Soma e está sendo comercializado pela SQG Empreendimentos e Construções. Pelo projeto, a área deveria abrigar 72 prédios.
A Cofap não tinha ''posição oficial'' sobre o assunto ontem à tarde. Procurada pela reportagem, a SQG Empreendimentos não se pronunciou. A Cetesb afirma que notificou os responsáveis pelo empreendimento. Entre as medidas exigidas pela companhia estão: a reunião com os representantes da área de vigilância epidemiológica, avaliação detalhada da contaminação na área e paralisação das obras e suspensão da comercialização das unidades já construídas. Além da possível retirada dos moradores do local.
Segundo o toxicologista e pesquisador da Fundacentro José Tarcísio Buschinelli, é muito difícil dizer que risco as pessoas correm, mas o benzeno, mesmo em quantidades pequenas é perigoso. ''Quanto maior a concentração, maior o risco de leucemia. Não ficaria tranquilo se morasse lá.''


