São Paulo, 20 (AE) - O plano energético do País de longo prazo é transformar o gás natural em 20% da matriz energética do País em dez anos. Hoje, com a matriz dominada inteiramente pela energia hidrelétrica, o gás responde por apenas 5% dela, segundo o secretário Nacional de Energia, Benedito Carraro. Ele é o principal negociador do governo para a instalação de usinas térmicas, a partir do gás, através de um plano emergencial em que se escolheu 11 regiões do Brasil para sua implantação.
Carraro se envolveu diretamente nas negociações realizadas esta semana para reduzir o preço do gás natural, que havia sofrido um aumento de 28,22% a partir de 4 de agosto. Conseguiu uma redução substancial com o preço do gás natural brasileiro passando a custar US$ 1,97 por milhão de BTU ou o da Bolívia a razão de US$ 2,55 por milhão de BTU. A redução no ajuste foi superior a 50% do que o solicitado pela Gaspetro, uma subsidiária integral da Petrobrás. Termoelétricas - O secretário disse estar na reta final para a assinatura dos compromissos com a iniciativa privada e com a Petrobrás para a implantação de duas termoelétricas no Rio de Janeiro. "Em 15 a 20 dias estaremos com as negociações encerradas. Uma das termoelétricas será instalada na Refinaria Duque de Caxias, da Petrobrás; e a outra no Norte do Estado, para gerar 1.000 megawatts, usando o gás da bacia de Campos", afirmou.
Com os termos de compromissos destas duas usinas assinados dentro de 20 dias, estimou Carraro, estará praticamente acertado a construção de 11 termoelétricas no País. "Além disso, temos mais 9 usinas termoelétricas com projetos em desenvolvimento no País. O que signigica que temos 20 termoelétricas para iniciar este processo de mudança da matriz energética do País".
Ele estima que um bom número de termoelétricas poderão entrar em atividades entre o final de 2000 e 2003. "Poderemos ter pelo menos de 8 a 9 mil megawatts a mais de energia para o País, lembrando sempre que precisamos anualmente de mais 4,3 mil megawatts de energia", disse. Carraro salientou que a preocupação é com "o horário de ponta no País", aquele horário que vai das 17 às 20 horas.
Segundo ele, o setor elétrico está sentindo um aumento de consumo desde o primeiro semestre. "Só para se ter uma idéia
disse, apenas a indústria teve um incremento no consumo de energia elétrica de 2,1% no primeiro semestre em comparação com igual período do ano passado. Significa que o País está saindo do processo recessivo e volta a crescer". O maior consumo, porém, foi registrado no comércio e residências. "Houve um descolamento do crescimento do consumo de energia do PIB nacional que cresceu 0,94% no primeiro semestre. O consumo de energia cresceu mais, cerca de 3%".

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