GÁS CARBÔNICO trata FERIDAS e melhora a PELE
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domingo, 29 de julho de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Há 14 anos convivendo com uma úlcera causada por varizes, Maria do Carmo Melo, de 65 anos, não esperava solução para seu problema. Mas depois de apenas três sessões de aplicação de gás carbônico, e a ferida bastante tratada, já faz planos até de viagens. ''Quero visitar meus irmãos em Pernambuco, coisa que não faço há muito tempo. Tenho fé que vou ficar curada'', afirma a funcionária pública federal aposentada, que sofria com dores e pernas inchadas. O gás carbônico (CO2), usado em um tratamento chamado carboxiterapia, vem ganhando espaço, tanto na estética, quanto para tratar feridas. Em Londrina, duas pesquisas buscam mostrar a eficiência do método.
Uma das pesquisas é a do cirurgião plástico Délcio Torres Amorim Júnior, na Santa Casa de Londrina, com pacientes que tem feridas causadas por varizes, problemas de circulação e diabetes. Serão 20 pacientes, todos recebendo o tratamento convencional para feridas, e apenas metade recebendo a aplicação de gás carbônico. O objetivo é comparar a evolução das feridas nos dois grupos. ''Os tratamentos convencionais tem bons resultados, mas são muito demorados e às vezes não se consegue curar totalmente a ferida. Com a carboxiterapia, esperamos aumentar a cicatrização e diminuir o tempo de recuperação'', diz.
Amorim Júnior explica que a terapia nasceu na década de 30, na França, com o uso de banhos de águas carbonatadas em pacientes com dores articulares e problemas de circulação. ''Não se sabia o porquê, só que eles melhoravam''. Há cerca de 30 anos, na Itália, pesquisadores começaram a utilizar o gás carbônico diretamente aplicado embaixo da pele, e tiveram bons resultados. Como o procedimento aumenta a firmeza da pele, chegou ao Brasil, há cerca de cinco anos, para ser usado para fins estéticos.
A explicação para os efeitos do gás carbônico é simples. O CO2 é resultado natural do processo de respiração - inspiramos oxigênio e expiramos gás carbônico. Mas, quando aplicado na pele, o organismo interpreta que naquele local é necessário mais ação para expelir o gás. O resultado é um grande fluxo sanguíneo na área e maior oxigenação. ''Em dois a três minutos, o gás carbônico já foi eliminado, mas a maior concentração de oxigênio perdura por dois a três dias'', ressalta.
As feridas causadas por diabetes ou por varizes tem causa principalmente na falta de circulação do local, por isso com a melhora do fluxo sanguíneo a recuperação é melhor e mais rápida. ''É possível salvar membros de amputação. Uma pesquisa no Japão mostrou redução de 83% das amputações'', afirma. O gás carbônico ainda estimula a formação de colágeno e ajuda a quebrar a célula de gordura, por isso é usado esteticamente.
A pesquisa de Amorim Júnior, que deverá ser apresentada durante o Congresso Internacional da Associação em Medicina Estética, no próximo ano, é inédita no Brasil. Ele ressalta que a existência de literatura nacional na área pode mudar o enfoque de operadoras de planos de saúde, e até o próprio Sistema Único de Saúde (SUS), que consideram o procedimento apenas como estético. ''O resultado é muito interessante, com diminuição do gasto com medicamentos, maior auto-estima do paciente, e até seu retorno a atividades produtivas'', afirma.
Serviço:
Interessados em participar da pesquisa na Santa Casa podem ligar no telefone (43) 3373-1617, em horário comercial.


