Gás Brasiliano e EDP fazem termelétrica de 500 MW
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Kelly Lima 
Araraquara, SP, 27 (AE) - A empresa Gás Brasiliano, que vai explorar a distribuição de gás natural na região Noroeste do Estado de São Paulo, vai instalar até 2003 uma termelétrica em Araraquara, com capacidade para gerar 500 MW com a captação de dois milhões de metros cúbicos de gás por dia do gasoduto liga a Bolívia ao Brasil, passando pelo município. A obra, cujo valor ainda não foi divulgado, será construída em parceria com a EDP (Companhia Eletricidade de Portugal) que já vem desenvolvendo projetos semelhantes na mesma área.
A prefeitura de Araraquara vai doar a área necessária para a empreitada e conceder isenção dos impostos municipais por cinco anos, conforme prevê legislação municipal. A expectativa da Gás Brasiliano, composta pela Agip do Brasil e Italgás, é de atender a cinco cidades da região com a termelétrica. Não foi descartada pela empresa a construção de outras termelétricas na região, inclusive em Ribeirão Preto.
Segundo o diretor de operações da Gás Brasiliano, Luiggi Cuviello, a escolha da área em que a termelétrica será instalada deverá ser feita nos próximos 30 dias. "Temos que avaliar todos os possíveis impactos ambientais para causar os menores danos possíveis", comentou. A Gás Brasiliano já havia apresentado a proposta à Agência Nacional de Energia Elétrica e já obteve a aprovação da obra.
No decorrer dos próximos cinco anos, a Gás Brasiliano prevê investimentos totais de R$ 110 milhões. Já este ano, a previsão é de que pelo menos cem clientes em potencial, que já foram contactados, recebam 600 mil metros cúbicos de gás por dia. Somente em Araraquara já existem, segundo o engenheiro de desenvolvimento de gás natural da Agip Luiz Fernando Trindade, contratos potenciais em estudo com a Nestlé e Cutrale. Os representantes da Gás Brasiliano deverão participar de várias reuniões hoje (27) com empresários de Araraquara.
Bagaço - O secretário de Desenvolvimento da Prefeitura de Araraquara, Feiz Mattar, afirmou que além da construção da termelétrica, a Gás Brasiliano está mantendo contatos com usinas de cana-de-açúcar da região para aumentar sua capacidade de produção de energia. "A idéia é que as usinas forneçam a maior parte da energia durante a safra, e o gás natural tenha maior consumo na entressafra da cana", explicou. Segundo ele, a Gás Brasiliano já teria entrado em contato com pelo menos cinco usinas, as maiores, da região para fechar contrato para compra de energia proveniente do bagaço da cana.
As usinas que hoje produzem energia somente para consumo próprio demandam investimentos para produzir para consumo externo. Os investimentos em cada usina variam de R$ 10 milhões a R$ 60 milhões. Segundo o secretário, está sendo estudada parceria entre a Gás Brasiliano e as usinas para viabilizar o investimento. Os representantes da Gás Brasiliano não confirmam e nem descartam a possibilidade, apenas dizem que "é cedo para falar no assunto".
Segundo o secretário, as usinas contactadas pela Gás Brasiliano são a Maringá e Zanin, ambas de Araraquara, Santa Cruz, de Américo Brasiliense, Corona, de Guariba e Santa Fé, de Nova Europa.
O diretor de operações da Gás Brasiliano, Luiggi Cuviello, disse que ainda não existe qualquer posição sobre o trajeto que o gás natural deverá tomar para ir de Araraquara a Ribeirão Preto. Pelo menos duas propostas estão sendo analisadas pela Gás Brasiliano. A primeira delas, prevista em contrato com o governo do Estado, seria a construção de um ramal de 90 quilômetros ligando as empresas do município e região ao city gate de Araraquara.
A segunda faz parte de uma proposta sugerida pelas associaçoes comerciais e industriais de Ribeirão Preto, Uberlândia e Uberaba, de que o gás chegasse pelo mesmo trajeto hoje feito pelo poliduto que liga Paulínia a Ribeirão Preto. A Gaspetro e a El Páso estão envolvidas no projeto do segundo gasoduto, que levaria o gás até Brasília. Num primeiro momento, as duas empresas chegaram a pensar em construir um gasoduto de Cuiabá a Brasília, mas optaram pelo trajeto que margeia a Via Anhanguera, passando em seguida pelo Triângulo Mineiro, pela quantidade de empresas instaladas na área e que possuem uma demanda considerada essencial para o gasoduto.
Para a efetivação deste projeto existe a necessidade de um consenso com a Gás Brasiliano, que possui o direito de distribuição na região de Ribeirão Preto e as empresas envolvidas na construção do gasoduto. Até a próxima semana está prevista a apresentação de um cronograma de obras que coincida com o já contratado com o governo.


