Madri, 14 (AE-AP) - O juiz espanhol Baltasar Garzón, que ainda tenta julgar Augusto Pinochet por violações de direitos humanos, encaminhou hoje (14) um pedido para que o ex-ditador chileno seja submetido a uma nova série de exames, dessa vez, conduzidos por médicos espanhóis. A solicitação do juiz foi entregue ao Ministério de Relações Exteriores da Espanha. Até hoje à noite não estava claro se o governo espanhol autorizaria ou não o encaminhamento do pedido para a Grã-Bretanha.
O porta-voz do gabinete do primeiro-ministro José María Aznar
Josep Pique, ao confirmar que o pedido de Garzón tinha chegado à chancelaria, assegurava que a Espanha manteria sua posição de só enviar a Londres documentos que contivessem "material novo e importante".
Na petição de Garzón, ele acusa o Ministério do Interior britânico de violar a Convenção contra a Tortura, de 1984, por não divulgar o relatório médico no qual Pinochet é considerado clinicamente incapaz de enfrentar um julgamento na Espanha. O documento também menciona vários exemplos de octogenários, como o criminoso de guerra nazista Klaus Barbie, que foram considerados em condições de suportar um processo, apesar de seus problemas de saúde.
"Uma vez que o Ministério do Interior britânico não pode dar à Justiça espanhola detalhes do exame médico feito em 5 de janeiro, pede-se um segundo exame, no qual forenses da Audiência Nacional (máxima instância judicial da Espanha) determinem o real estado mental de Augusto Pinochet", diz a petição de Garzón.
O magistrado espanhol também reitera o pedido, formulado há um ano às autoridades britânicas, para que permita a ele interrogar Pinochet na Grã-Bretanha.

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