Madri, 10 (AE-ANSA) - O caso do ex-ditador chileno Augusto Pinochet deu lugar na Espanha a um duro enfrentamento entre o juiz Baltasar Garzón, que em 1998 solicitou à Grã-Bretanha a extradição do ex-mandatário, e o chanceler Abel Matutes.
Quando dias atrás a Bélgica e seis organizações humanitárias recorreram contra a intenção do ministro do Interior britânico, Jack Straw, de libertar Pinochet por motivos de saúde, baseando-se em um exame médico confidencial, Garzón pediu a seu governo que fizesse o mesmo. Há alguns dias, a Alta Corte britânica aceitou o reexame judicial da intenção de Straw, e Garzón acusou hoje o governo espanhol, em uma carta a Matutes, de "incumprimento e omissão" por não haver apresentado o recurso.
"Em nosso país, o governo nos proíbe de interferir nos processos judiciais e, ao não apresentar recurso (...), impediu os juizes de defende suas acusações contra o ex-ditador chileno em fóruns oportunos", afirma Garzón na carta.
Durante uma entrevista coletiva, Matute respondeu: "A carta de Garzón está correta. Entretanto, se (Garzón) tem objeções (à conduta do governo espanhol), que recorra ao Supremo Tribunal contra o governo por conflito de competência".
Matutes sempre afirmou que um recurso do governo espanhol contra a intenção de Straw seria "ridículo porque a decisão britânica é de caráter político". Segundo ele, por esse motivo, "a Espanha poria em perigo suas relações com o Chile".

mockup