Londrina - A falta de atendimento para um menino de 8 anos, que sofreu traumatismo craniano ao cair de uma árvore, reacendeu ontem a polêmica sobre o número de vagas em unidades de terapia intensiva (UTI) nos hospitais da rede pública em Londrina. O acidente foi no final da manhã de terça-feira e até o final da tarde de ontem o garoto aguardava uma vaga na UTI pediátrica do Hospital Evangélico.
Roger Eduardo Gomes Rodrigues caiu de uma goiabeira de uma altura de aproximadamente três metros, no Jardim San Rafael, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina). Atendido no Hospital Cristo Rei, foi transferido pelo Siate ao Evangélico conta da gravidade da lesão. A vítima precisava passar por um exame de ressonância magnética, o que foi feito apenas na tarde de ontem. O equipamento estava em manutenção na terça-feira.
"A gente fica com uma apreensão muito grande. É difícil ficar esperando mais de um dia por uma vaga. Na sala onde o meu filho estava pelo menos oito pessoas também aguardavam por vagas. É uma situação complicada", contou a operadora de telemarketing Kelly Cristina Pereira Ribeiro, de 32 anos, mãe de Roger.
O Hospital Evangélico informou que o garoto recebeu atendimento em uma sala de emergência no pronto-socorro com a mesma estrutura de UTI. Ontem a tarde, Roger estava consciente, medicado e orientado. O resultado da ressonância iria apontar a necessidade de uma cirurgia e se o menino precisaria mesmo ser transferido para um leito de UTI.
O HE comunicou que os dez leitos de UTI pediátrica estavam ocupados e que informou a Central de Regulação de Leitos de Londrina que a unidade trabalhava com vaga zero. A portaria 2.048/2002 do Ministério da Saúde instituiu que mesmo com vaga zero os hospitais têm de receber pacientes, mesmo sem condições para fazer o atendimento.
Para o diretor do setor de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Sérgio Canavese, nem sempre o conceito vaga zero é utilizado de forma correta pela rede hospitalar. "É uma questão de atendimento em situações extremas, para o paciente não morrer. O hospital pode não ter vaga naquele momento, mas ele possui a estrutura que o paciente necessita. Prefiro responder por encaminhar um paciente para um hospital com vaga zero do que ver essa pessoa morrer", relatou o diretor.
Os outros dois hospitais públicos de Londrina que possuem UTIs pediátricas não trabalhavam com superlotação ontem. O Hospital Infantil possui dez leitos e seis estavam ocupados. Já no Hospital Universitário (HU), dos cinco leitos, quatro abrigavam pacientes. "Naquele momento a escolha pela internação foi no melhor lugar e que poderia garantir as melhores condições de atendimento para esse caso específico, já que não foram encontradas vagas em outros hospitais", explicou Canavese.
Na semana passada, o caseiro Aparecido Gouveia Terra, de 56 anos, sofreu mais de três mil picadas de abelhas e morreu após esperar por sete horas por uma vaga de UTI no Hospital Universitário. O setor de UTI para adultos do HU, que tem 17 vagas, também estava lotada ontem. Outros 13 pacientes estavam na fila de espera.
O governo do Estado inaugurou em abril do ano passado a UTI 3 do HU com dez novos leitos. No entanto, o hospital espera a contratação de 70 servidores por meio de concurso público, que ainda não tem prazo para acontecer, para colocar os novos leitos para funcionar.

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