Jandira, SP, 21 (AE) - Um garoto de 9 anos participou, com dois adolescentes de 13 e 16 anos, do assassinato dos irmãos Leandro José da Silva, de 9 anos, e Paloma Caroline da Silva, de 8, no dia 11, em Jandira, a 35 quilômetros de São Paulo. Os três autores do crime foram detidos ontem (20) à noite, na região central da cidade, jogando em máquinas de fliperama.
Eles contaram detalhes do duplo homicídio ao delegado de São Roque, Robson Lourencetti. O mais novo é conhecido pelo apelido de "Catarrento" e foi quem obrigou os irmãos a comer fezes, antes de serem mortos. Ele ajudou os adolescentes Luis "Neguinho", de 13 anos, e "Doido", de 16, a matar Leandro e Paloma a socos, pontapés, pauladas e pedradas. Eles contaram que
antes, queimaram os irmãos com pontas de cigarro e os violentaram sexualmente. Os depoimentos impressionaram o delegado pela frieza.
Os irmãos Leandro e Paloma conheceram os adolescentes no patinês, onde há uma pista de skate, no centro de Jandira. Eles haviam saído de casa na companhia de Bárbara Fermino, uma vizinha de 9 anos, e no local juntou-se ao grupo outro irmão deles, Douglas, de 5 anos. A mãe das três crianças estava internada em uma maternidade, onde dera à luz no dia anterior. Segundo o delegado, tanto os que morreram quanto Bárbara e Douglas são crianças que passam a maior parte do tempo na rua, pedindo esmolas.
Os matadores, de acordo com o policial, fazem parte de um grupo de menores que cheiram cola e fumam crack, fazendo "ponto"na pista de skate. Depois de levar as crianças para a mata, no Bairro de São João Velho, em São Roque, os adolescentes avisaram que iriam matá-los, segundo o depoimento de Bárbara. "A gente é ladrão, já assaltou muitas lojas por aí e já matamos oito pessoas; vai completar doze com vocês", disse o "Doido".
Seguiu-se uma sessão de torturas, na qual só Douglas não apanhou. Bárbara e os irmãos foram surrados com varas, enquanto gritavam por socorro. Eles foram obrigados a comer capim e as fezes. Depois, os três tentaram estuprar Paloma e, com a reação de Leandro, passaram a espancá-lo. Antes de fugir, Bárbara viu Leandro ser derrubado com uma pedrada na cabeça. Os corpos foram colocados um sobre o outro, antes de serem encontrados pela polícia.
A menina Bárbara levou os policiais ao local. Segundo o delegado, o menino de 9 anos, que legalmente não pode ser penalizado, será colocado sob a proteção de uma entidade assistencial. Os dois adolescentes ficarão sob a custódia da Justiça.

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