Rio, 08 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), disse hoje que vai questionar seu secretário de governo, Carlos Lupi - homem de confiança do presidente nacional da legenda, Leonel Brizola-, sobre as críticas feitas pelo ex-governador. Brizola acusou Garotinho de montar estrutura política paralela ao partido ao criar 81 cargos de confiança. Lupi endossou as críticas de Brizola e agora pode estar com o cargo ameaçado. "Fiquei surpreso", disse Garotinho ao comentar as afirmações de seu secretário, que está na França com Brizola participando de um encontro da Internacional Socialista e só deve voltar na quinta-feira (11).
Segundo informações divulgadas no fim de semana, Garotinho criou 41 cargos de agente de desenvolvimento regional, com salários de R$ 2.300, e outros 40 postos de assessor, ganhando R$ 1.200. Até o fim do ano, outras 36 vagas deverão ser criadas. Os indicados são políticos sem mandato, que, oficialmente, coordenam ações dos órgãos governamentais. Alguns serão candidatos em 2000.
Garotinho acusou o seu próprio secretário e Brizola de terem solicitado que todos os ADRs, como são chamados os novos cargos, fossem lotados na secretaria de governo logo depois que Lupi a assumiu. "O que ele gostaria era de controlar isso que imaginava ser uma montagem política para criar uma força contra o partido", atacou. "Com toda sinceridade: é a última entrevista em que respondo a qualquer crítica e provocações do senhor Leonel Brizola, não respondo mais, fui eleito para trabalhar."
Com os novos cargos, o governo deverá gastar por ano cerca de R$ 1,7 milhão (sem contar os salários dos 36 novos assessores). Garotinho insistiu, porém, que não haverá novas despesas para o Estado, pois os postos, na verdade, já existiam na estrutura administrativa. "A lei não permite que o governador crie cargos aumentando despesas", afirmou o pedetista, ressaltando que os ADRs foram criados a partir da transformação de cargos já existentes nas Secretarias de Agricultura, Gabinete Civil e Governo.
PMDB - O governador disse que partiu do PMDB a iniciativa de conversar sobre seu futuro político, mas garantiu que vai continuar no PDT. Sem citar nominalmente Brizola, Garotinho atribuiu à "inveja" os ataques que têm sofrido por parte do presidente nacional do PDT, que já governou o Rio em dois períodos (1983-1987 e 1991-1994) e deixou o cargo com baixa popularidade. "Ele não se conforma com os índices que o governo tem de aprovação", afirmou o governador. "É um governo respeitado pela sociedade, um governo democrático, que senta com as autoridades, que dialoga, que procura resolver sem paixões.

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